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“Baía das Gatas” online: Paulão diz que CMSV mostrou-se indiferente com a “situação crítica” dos Dj’s

Arrancou ontem a 36ª edição do Festival Internacional da Baía das Gatas, considerada a mais inédita de todas por acontecer a partir da Baía do Porto Grande, sem público e com transmissão online, mas também devido a exclusão dos Dj’s do cartaz. Para Paulo Brito, ou Dj Paulão como é conhecido na profissão, este facto é prova que a Câmara Municipal mostrou-se indiferente para com esta classe, que passa neste momento por uma situação crítica, sem trabalho há meses.

“Os Dj’s também são artistas e fazem parte da cultura porque ao longo dos anos são responsáveis pela divulgação das músicas.  Na situação em que nos encontramos acho que a autarquia deveria pensar em nós também”, considera Paulão.
Com as discotecas e casas noturnas proibidas de exercer atividades de diversão desde o inicio da pandemia, como medida preventiva à propagação do coronavírus, este profissional diz estar a passar por enormes dificuldades para se manter e à sua família.

Desprovido da fonte de renda, é a primeira vez que, em mais de vinte anos de carreira, passa cinco meses sem trabalhar um dia sequer. Lamenta por não estar incluído na previdência social, o que não lhe deu direito de aceder ao apoio do INPS. Apesar de considerar um retrocesso na organização do festival, onde há anos estes profissionais vinham ganhando espaço, pensa ser positiva a ideia de o evento homenagear os profissionais da saúde.

Outro jovem profissional a dar os primeiros passos na carreira de artista mostra-se igualmente indignado pela exclusão dos DJ’s destes três dias de animação. Apesar de não esperar que fosse este ano chamado para pisar pela primeira vez neste “palco de sonhos”, prefere não se identificar para  evitar que seu nome seja “descartado de vez” pela organização. “Ao saber da situação dos meus colegas, que investiram ao longo dos anos neste ofício e que não têm outra fonte de renda, isso desmotiva os mais jovens na profissão”, garante.

Após meses parado, este DJ confessa ter pensado vender os equipamentos de som por causa de dívidas que acumulou. Mas encontrou na família o apoio para não desistir do sonho. Sem perspectiva de quando voltar a fazer animação cultural, este procura por novas oportunidades e não desconsidera a possibilidade de investir noutra carreira.

O Mindelinsite tentou contactar a vereadora Solange Neves por telefone para ouvir a versão da CMSV, mas tal não foi possível.

Sidneia Newton

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