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Actriz Flávia Gusmão realiza filme inspirado na vida da activista cultural Samira Pereira

“Mangifera”, o primeiro filme da autoria da actriz portuguesa/cabo-verdiana Flávia Gusmão terá estreia no dia 16 de outubro na RTP2 e é inspirado na vida da activista cultural cabo-verdiana Samira Pereira, vítima da Covid-19 no ano passado. Trata-se de um docudrama que tenta criar um mapa ficcional, geográfico, emocional e afectivo a partir de um livro enterrado no canteiro de uma mangueira da última casa de Samira Pereira.

“Através de um processo de criação desenvolvido com diferentes comunidades cabo-verdianas de vários países encontra-se um paralelo imaginado entre a biografia de Samira Pereira – nascida em 1976, um ano depois da Independencia de C. Verde – e os acontecimentos históricos e políticos que marcaram o seu circulo de amigos e co-conspiradores, o seu legado e actividade cultural e os territórios onde viveu, sobretudo os que influenciaram fluxos migratórios de partida e de regresso”, explica nota sobre esse docudrama.

A narrativa do filme é construída a partir de um conto de Agustina-Bessa Luís, intitulado As mãos contra a luz e de um poema de Shauna Barbosa, poeta norte-americana com ascendência cabo-verdiana. “Achei que este texto de Agustina poderia ser sobre Samira. O texto amplifica também, a meu ver, problemáticas que se relacionam com a ideia de identidade(s), o papel da mulher, geografias de onde se quer fugir e voltar e também me sugeriu um ponto de partida para uma tentativa de se pensar sobre o que nos faz denominar alguém de ‘intelectual’”, justifica a realizadora e autora Flávia Gusmão.

No caso do poema de Shauna Barbosa, prossegue essa também actriz, redigiu o texto a partir de uma memória que tinha de um fim-de-semana passado com Samira Pereira numa ilha de Cabo Verde.

O documentário está integrado no ciclo televisivo que celebra o centenário do nascimento de Agustina Bessa-Luís e é o quarto capítulo do projecto “Na Lut@”, que é uma reflexão sobre as cinco fases do luto estabelecidas pela psiquiatra Elisabeth Kubler-Ross: a negação, a raiva, negociação, depressão e aceitação.

A última parde de Na Lut@ tem estreia marcada para o Teatro São Luiz, em Lisboa, em abril de 2023.

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