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UCID pede maior cuidado do sistema educativo com a saúde mental dos estudantes devido a transtornos emocionais

A UCID pediu no arranque do novo ano lectivo um maior cuidado do sistema educativo com a saúde mental dos jovens estudantes devido aos transtornos emocionais que os afectam, como a ansiedade, depressão e síndrome do pânico. O apelo foi lançado esta manhã pela deputada Zilda Oliveira, psicóloga de profissão, para quem os transtornos de comportamentos começam a estar muito presentes no quotidiano das escolas, com consequências ao nível do desempenho escolar e outras coisas mais graves, como a automutilação e o suicídio.

“Talvez seja necessário ponderar a possibilidade de se afectar psicólogos clínicos às escolas, ou pelo menos por agrupamento”, sugeriu a deputada eleita pelos democratas-cristãos em conferência de imprensa realizada esta manhã na cidade do Mindelo. Porém, Zilda Oliveira considera que as famílias terão de fazer a sua parte, engajando-se com mais afinco no acompanhamento dos filhos na escola. Como lembra, o sucesso escolar também depende da relação entre os educadores e o estabelecimento de ensino.

A deputada aproveitou o contacto com a imprensa para analisar algumas estatísticas relactivas ao ano findo e ao novo, que começou no dia 19 deste mês. Segundo Oliveira, dados provisórios apontam que a média de aprovação foi de 83,9% do primeiro ao oitavo no de escolaridade, com uma redução para 67 e 56% no sétimo e oitavo anos. Já entre o nono e 12. ano, acrescenta, a média de aprovados situou-se nos 73,5 por cento.

Porém, adverte a deputada, o abandono escolar é maior do sétimo ao décimo-segundo ano, situação que, na sua perspectiva, merece uma maior atenção do Ministério da Educação, visto que vários jovens estão ficando para trás.

Zilda Oliveira frisa que a taxa geral de aprovação ficou acima dos 70%, “o que é desejável”, mas entende que se deve fazer uma análise aprofundada desse dado se o foco é a qualidade. “Mostra-se importante conhecer e analisar a qualidade dessa aprovação, isto é, saber a percentagem de alunos que aprovaram com médias finais de muito bom, bom e suficiente, bem como conhecer as percentagens por disciplinas”, salienta. Esta seria a forma, nas suas palavras, para se saber o que precisa ser reforçado para que se possa falar de forma sustentada em reforço de competências.

A UCID, segundo Oliveira, está preocupada com a forma como a reforma educativa tem sido implementada, “sem o necessário plano estratégico e operacional, sem a envolvência dos professores e às pressas”. Zilda Oliveira acrescenta que foi iniciada a implementação da reforma do ensino técnico, mas não se ouviu ainda nenhum pronunciamento do ministro da Educação. E pregunta se isso será porque a matriz que várias vezes a UCID solicitou no Parlamento para ser enviada às escolas, a fim de planearem o ano lectivo, só chegou no mês de agosto ou se isso tem a ver com o atraso no envio dos programas das disciplinas técnicas-tecnológicas…

Sem os programas, diz, não há manuais. E sobre este propósito, a deputada revelou que ainda os manuais do 9. e 12. ano não estão disponíveis. E lembra que estes são um dos principais instrumentos de trabalho dos alunos e guias importantes para os docentes.

E por falar em professores, o partido relembra que reina ainda um elevado índice de descontentamento da classe devido a demora na reclassificação e não pagamento de subsídios. A deputada deixa claro que a UCID vai continuar atenta ao cumprimento das promessas do Governo de resolver as pendências dos docentes em 2023.

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