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Turbulência nos transportes aéreos: BestFly com aviões avariados e TACV sob ameaça de greve

O sector dos transportes aéreos continua envolta numa forte turbulência. Desde ontem que as ligações inter-ilhas estão suspensas devido a avaria dos aviões da BestFly, enquanto na TACV paira a ameaça de uma greve geral.

A transportadora aérea BestFly cancelou todos os voos domésticos a partir de ontem devido a uma avaria no seu segundo avião, ocorrida na pista do aeródromo de São Filipe, na ilha do Fogo. A informação foi anunciada pela empresa em comunicado, tendo avançado que todas as ligações previstas para hoje, dia 18, estão a ser reprogramadas e condicionadas à resolução das avarias.

Na nota, a empresa afirma que, para minimizar os constrangimentos, contratou já os serviços de uma aeronave que deve chegar hoje a Cabo verde e fará as viagens até estabilizar as operações. A empresa admite que está a passar por um momento desafiante e que a sua principal preocupação é a segurança, daí ter cancelado todos os voos programados para ontem.

“A avaria ocorrida na segunda aeronave ATR72-600, com que a BestFly opera as ligações aéreas em Cabo Verde, junta-se à que se verifica há alguns dias noutra aeronave, em vias de resolução, e que ocorre numa altura de forte pressão internacional em matéria de serviços de apoio à atividade aeronáutica”, salienta a companhia aérea.

A BestFly promete, no entanto, tudo fazer para ultrapassar a situação com a maior brevidade e retomar as ligações, mesmo recorrendo ao aluguer de avião no exterior. A empresa assegura que já mobilizou para a ilha do Fogo uma equipa técnica especializada para resolver a avaria.

TACV sob ameaça de greve

Enquanto isso, os trabalhadores da TACV deram um ultimato à administração da empresa e ao Governo para cumprirem as promessas ou partem para uma greve geral. A notícia foi avançada ontem pelo jornal Santiago Magazine, que faz referência a uma carta-conjunta assinada pelas associações sindicais que representam todas as classes de trabalhadores da companhia aérea de bandeira e na qual ameaçam paralisar os trabalhos. Isto se a administração da empresa e o Governo não assegurarem o pagamento ininterrupto dos salários e não levarem à prática um plano de retoma formal actualizado.

Para os autores da missiva, a actual situação da TACV deve-se à inércia e inexperiência do actual Conselho de Administração e a falhas do Governo. Lembram as associações sindicais que foram várias as tentativas de contacto com o CA da TACV e com o Executivo para se inteirarem dos planos da empresa, através de encontros e cartas. Na sequência, prosseguem na carta-conjunta com data de 14 de setembro, foram apresentadas garantias de resolução dos problemas, mas sem qualquer resultado prático até agora.

O documento lembra, conforme Santiago Magazine, que, na sequência de uma nota enviada em agosto deste ano pelo SNPAC (Sindicato Nacional de Pilotos da Aviação Civil), foram realizadas reuniões com o Ministro do Turismo e Transportes, tendo Carlos Santos apresentado garantias de resolução dos problemas identificados, de forma geral, na referida nota. De entre as quais, foi garantido que seria aprovado e partilhado um plano de retoma da empresa, bem como não haveria incumprimento do pagamento de salários.

“Ora, até à data, nenhuma das garantias dadas pelo Governo, através do Sr. Ministro, foram cumpridas, o que revela total desconsideração pelo capital humano da empresa, situação esta que tem sido recorrente na relação entre os trabalhadores da empresa, o Conselho de Administração e o Governo de Cabo Verde”, sublinha a carta-conjunta.

Os trabalhadores exigem, nesse documento, uma postura mais firme e definitiva do Executivo para recuperar a estima dos funcionários e a normal operacionalidade da companhia aérea de bandeira nacional. Neste sentido, os sindicatos representantes das classes da empresa instam a gestão da TACV e o Governo a tomarem medidas definitivas com vista à retoma da actividade da empresa. Exigem, desse modo, a aprovação de um plano de retoma formal actualizado – dizem que o aprovado em Assembleia Geral de accionistas parece estar ultrapassado, sem que tenha sequer sido implementado – e que apresentem os investimentos a serem feitos em aparelhos, nas condições operacionais e liquidez necessária para suportar a operação na fase inicial e o pagamento de salários.

Cientes do que se passa a nível internacional, os sindicatos dos trabalhadores da TACV reconhecem que “os preços das passagens aéreas actualmente praticados em Cabo Verde são absurdos, e não coadunam com a realidade do país. Para eles, isso acontece essencialmente pela ausência de concorrência no mercado.

Informam ainda que, segundo os dados estatísticos de tráfego aéreo emitidos pela ASA, o sector da aeronáutica civil neste momento está em alta, tendo sido registado no 1º trimestre de 2022 um total de 5.488 movimentos de aeronaves, mais do que o dobro das ligações realizadas no mesmo período do ano anterior. Sublinha ainda o documento que nos primeiros três meses de 2022 movimentaram-se nos aeroportos de Cabo Verde cerca de 457 mil passageiros, representando um valor quatro vezes superior aos cerca de 96 mil transportados no período homólogo de 2021.

Assim sendo, os sindicatos concluem que a actual situação da TACV é fruto da inércia e inexperiência do actual Conselho de Administração, bem como da falta de condições criadas pelo accionista Estado.

Face a essa “situação insustentável”, adiantam os sindicatos, não lhes restam outras alternativas, se não recorrer a outros instrumentos legais, designadamente recorrer, no limite à greve. Asseguram, no entanto, que não se trata de um pré-aviso de paralisação dos trabalhos. Entretanto dizem esperar uma reação da TACV e do Palácio da Várzea até o dia 30 de setembro.

O documento, segundo o referido jornal, foi assinado pelo presidente do Sindicato Nacional de Pilotos da Aviação Civil- SNPAC, Edmilson Aguiar Barbosa Vicente Fortes, pela presidente do Sindicato Pessoal Navegante de Cabine da Aviação Civil – SPNCAC, Carla Correia da Veiga, pelo presidente da Associação Sindical dos Trabalhadores de Terra da Cabo Verde Airlines –ASTTCVA, Carlos Manuel Dinis Andrade, e pelo presidente da Associação Cabo-Verdiana de Técnicos de Manutenção de Aeronaves (ACTA), José António Neves Ramos.

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