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Enapor quer transformar Cabo Verde num centro de transbordo de mercadorias para África

A Enapor pretende aproveitar a localização geográfica de Cabo Verde para atrair operações de transbordo e redistribuição de mercadorias destinadas a Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e outros mercados africanos. O objectivo? Reforçar o papel do arquipélago nas rotas do comércio marítimo internacional. A estratégia foi apresentada durante a sua intervenção no Fórum de Investimentos da África Lusófona, na ilha do Sal, pelo PCA da Enapor, que defendeu a necessidade de combinar investimentos públicos e privados, financiamento internacional e uma maior articulação com os parceiros comerciais da região para concretizar esta ambição.

Foi durante a sua intervenção Hamir Inocêncio detalhou os estudos realizados em 2025 para o desenvolvimento de um corredor marítimo entre Cabo Verde e a Guiné-Bissau, concebido para facilitar o transporte de mercadorias e passageiros e aprofundar a integração económica entre os dois países. Explicou que o projecto está estruturado em duas componentes. A primeira prevê uma ligação marítima entre os dois países para o transporte de contentores, com um investimento estimado em 16 milhões de euros, enquanto a segunda, orientada para o transporte de mercadorias e passageiros, está avaliada em cerca de 50 milhões de euros.

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As duas componentes representam um investimento estimado em 66 milhões de euros, destinado a melhorar a circulação de bens e pessoas e a criar condições para o aumento das trocas comerciais entre os mercados da África Ocidental, escreveu o Jornal Económico de Portugal. A iniciativa visa aumentar a competitividade dos portos cabo-verdianos, criar novas oportunidades de negócio e posicionar o país como um ponto de ligação estratégica entre África, Europa e Américas. Neste quadro, sinalizou o desenvolvimento de corredores marítimos e a expansão e modernização das infraestruturas portuárias como eixos fundamentais para melhorar a conectividade comercial do país e reforçar a sua integração nas cadeias logísticas internacionais.

A concretização desta estratégia dependerá da capacidade, entretanto, de mobilizar recursos financeiros, atrair operadores do setor e fortalecer as ligações marítimas com os mercados africanos, transformando a posição geográfica do arquipélago numa vantagem económica. Diz que a criação de ligações marítimas entre o Brasil, Cabo Verde e outros mercados africanos constitui outra das oportunidades identificadas pela Enapor. Aliás, garantiu investidores brasileiros já manifestaram interesse em estudar uma rota comercial com passagem pelo país, tendo em conta a sua posição geográfica nas ligações marítimas entre a América do Sul e a Europa.

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Porém, a viabilidade económica destas operações depende da existência de carga nos dois sentidos. No domínio das infra-estruturas, o PCA destacou a expansão do Porto da Palmeira e a modernização do Porto Grande. Defendeu reforço destas infra-estruturas deverá contribuir para aumentar a capacidade de movimentação de contentores, melhorar as condições operacionais e ampliar a capacidade de recepção de navios que circulam ao longo da costa atlântica.

Apontou, por outro lado, o Porto de Sines, em Portugal, como exemplo de uma infra-estrutura cuja expansão, associada à participação privada, permitiu reforçar a capacidade operacional e criar novas oportunidades económicas. De recordar que, recentemente, a Enapor e o Porto de Sines reforçaram a sua cooperação com foco na capacitação profissional, durante uma visita efectuada por Hamir Inocêncio, e do Administrador Executivo, Carlos Delgado, acompanhados pelo Gestor de Segurança de Informação, Reiny Delgado.

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Esteve em destaque durante esta visita a possibilidade de formação de técnicos da Enapor no Port Cyber Arena, visando reforçar as competências em cibersegurança no contexto portuário. Foi igualmente abordada a capacitação prática dos operadores de máquinas na utilização de equipamentos portuários, nomeadamente gruas e reachstackers, com foco na segurança e na eficiência das operações.

Em suma, a estratégia apresentada por Hamir Inocêncio passa por transformar a localização geográfica de Cabo Verde numa vantagem económica, atraindo operações de transbordo e redistribuição de mercadorias destinadas a Angola, Moçambique, Guiné-Bissau e outros mercados africanos.

 

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Constanca Pina

Formada em jornalismo pela Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ). Trabalhou como jornalista no semanário A Semana de 1997 a 2016. Sócia-fundadora do Mindel Insite, desempenha as funções de Chefe de Redação e jornalista/repórter. Paralelamente, leccionou na Universidade Lusófona de Cabo Verde de 2013 a 2020, disciplinas de Jornalismo Económico, Jornalismo Investigativo e Redação Jornalística. Atualmente lecciona a disciplina de Jornalismo Comparado na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV).

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