PAICV regressa ao poder com maioria absoluta: Francisco Carvalho garante que promessas serão cumpridas

O eleitorado cabo-verdiano votou pela mudança do poder central, com o PAICV de regresso ao Palácio da Várzea após dois mandatos na oposição e com maioria absoluta. Até a meia noite de ontem, pairou no ar a inquietante questão se a vitória do partido da estrela negra seria por maioria relativa, com a demora no apuramento das mesas de voto na diáspora.
A dúvida foi dissipada por Francisco Carvalho, candidato dos “tambarinas” a Primeiro-ministro, que iniciou a sua comunicação ao país anunciando exatamente esse dado. “Hoje é um dia extraordinário. Os cabo-verdianos devolveram a democracia ao povo e de forma clara. Disseram que chegou a hora de mudarmos a gestão e a perspectiva de construção do futuro do país. E disseram isto com a maioria absoluta”, afirmou Carvalho, acentuando que estava finalmente na posse dos resultados dos Estados Unidos da América, que acabaram por atribuir uma vitória contundente ao PAICV, ao projecto “Cabo Verde para Todos”.
Questionado sobre o que o país pode esperar do seu governo, Francisco Carvalho assumiu que o país aguarda que comece a falar do roubo de votos e da compra de consciência em Cabo Verde nas eleições. “Espero que isto não passe em branco; espero que ninguém venha fingir que isto não aconteceu. Espero isto da comunicação social, dos analistas e dos críticos porque 200 mil contos em cestas básicas não podem passar em branco”, acentuou o próximo Chefe do Executivo, numa clara referência aos vídeos que circularam nas redes sociais de pessoas supostamente adquirindo produtos no Palácio Fenícia, na cidade da Praia, em troca de votos. Apesar das evidências, disse, a Procuradoria-Geral da República e a Comissão Nacional de Eleições viraram o rosto para o lado.
Carvalho reforçou ainda que a Caixa Económica abriu as portas no sábado, véspera da votação, para permitir a transação de dinheiro destinado à compra de pessoas. “Espero que isto não passe em branco”, reforçou Francisco Carvalho na sede do PAICV, ele que quer, nas suas palavras, falar do Cabo Verde real, e não da “democracia de fachada”, com estatísticas forjadas.
Governo menos “gordo” para cumprir promessas
Na sua declaração de vitória, Francisco Carvalho assegurou que irá liderar um governo com menos membros que o actual do MpD e reforçou que todas as promessas feitas na campanha serão cumpridas: acesso gratuito à universidade pública e aos serviços de saúde, redução do preço da passagem marítima para 500 escudos e do custo do bilhete de avião para 5 contos…

Salientou que seria da sua vontade promover uma revisão da Constituição da República para mudar a forma de escolha do Procurador-Geral da República, do Presidente do Tribunal de Contas e do Inspector-Geral das Finanças. Lamentou, no entanto, que tal não será possível porque, diz, os deputados do MpD não irão permitir isso no Parlamento, visto que estas matérias pedem uma maioria qualificada, poder que o PAICV não tem. “O MpD não vai permitir a revisão da Constituição. Ponto final”, exclamou Carvalho, que acusou o partido liderado por Ulisses Correia e Silva de promover a perseguição de pessoas.
Um exemplo apontado foi a decisão do ministro da Saúde de determinar o afastamento do médico-ortopedista Tito Rodrigues das funções de chefia no hospital Baptista de Sousa só por ter questionado a retirada de equipamentos do serviço da Maternidade do Mindelo e enviados para a Delegacia de Saúde da Boa Vista sem o seu conhecimento.
Até este momento, os dados oficiais da CNE indicam que o PAICV obteve até ontem às 23 horas um total de 88.966 votos (46,7%), o MpD 83.190 (43,6%), a UCID 9.793 (5,1%), o PTS 3.257 (1,7%) e o PP apenas 606 votos. Os dados indicam que o PAICV tinha garantido 33 deputados, o MpD 30 e a UCID 2. Faltava ainda apurar oficialmente mais 7 lugares das mesas da diáspora. Entretanto, Francisco Carvalho adiantou que o PAICV conquistou os dois assentos nos Estados Unidos da América, que lhe dão a maioria absoluta.






