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Centro CV Fact conclui que sondagens apresentadas nas redes sociais sobre as Legislativas são enganosas

Do apuramento feito junto da ARC, o CV Fact foi informado do depósito de inquéritos realizados apenas pela Afrosondagem e o CIEED, mas não para divulgação pública.

O CV Fact, centro de verificação de factos, analisou informações que circulam nas redes sociais, apresentando resultados de sondagens sobre as eleições legislativas de 2026 em Cabo Verde, e determinou, conforme nota à imprensa, que as mesmas são enganosas. Para chegar a este veredicto, diz, entrou em contacto com a Autoridade Reguladora de Comunicação Social (ARC), que, em resposta oficial, informou que, ao longo do presente ano, recebeu apenas uma sondagem destinada à divulgação pública sobre intenções de voto para as legislativas. Trata-se de um inquérito realizado pela empresa Afrosondagem entre 25 e 30 de dezembro de 2025 e que foi divulgado em janeiro deste ano.

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Conforme o CV Fact, entidade destinada ao combate à desinformação, a ARC adiantou ainda ter recebido o depósito de sondagens da empresa CIEED, no mês de abril e maio, também sobre a intenção de votos nas eleições legislativas de hoje, 17 de maio. Porém, as mesmas não visavam a divulgação pública dos dados.

No âmbito de apuração da verdade dos factos, o CV Fact informa que entrou em contacto com a Afrosondagem, que lhe garantiu que não autorizou a divulgação de nenhuma sondagem datada de abril. “Por meio do seu presidente, José Semedo, a empresa confirmou ter produzido uma nova sondagem para um cliente, em abril, mas assegurou que não autorizou a publicação/divulgação da mesma, e não sabe quem a divulgou, estando ciente dos procedimentos legais a seguir para a divulgação de sondagens”, diz o referido centro.

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Este acrescenta que abordou igualmente o responsável do centro internacional de estudos CIEED, tendo Agnelo Sanches garantido que depositaram duas sondagens na ARC, em 23 de abril e 14 de maio, mas não para uso público.

Outra instituição associada à divulgação de sondagens, segundo o CV Fact, é a Universidade de Cabo Verde. No entanto, a UniCV, diz, já veio a público desmentir qualquer ligação à produção ou divulgação de inquéritos para as legislativas de 2026, demarcando-se das publicações que utilizam o seu nome ou logótipo.

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“A análise dessas publicações permitiu constatar que muitas das alegadas sondagens não apresentam elementos básicos exigidos para estudos de opinião credíveis, como entidade executora da sondagem; metodologia utilizada; dimensão e composição da amostra; margem de erro; período de recolha de dados; universo dos inquiridos; cliente responsável pelo estudo”, enfatiza o CV Fact. Em vários casos, explica, as imagens de divulgação das alegadas sondagens circulam apenas com tabelas de resultados e símbolos partidários, sem qualquer informação técnica que permita atestar a sua autenticidade.

Neste contexto, concluiu que os conteúdos analisados são enganadores, uma vez que apresentam alegados resultados eleitorais sem transparência metodológica, sem validação institucional conhecida e sem evidências públicas que permitam comprovar a sua autenticidade ou credibilidade científica. Além disso, prossegue, foram disseminadas sobretudo por páginas e perfis de apoiantes partidários com o intuito de influenciar e manipular a opinião pública.

Deste modo, o CV Fact afirma que as publicações analisadas são consideradas enganosas e até nocivas, podendo induzir os cidadãos em erro e contribuir para a desinformação no debate político e eleitoral e manipular as intenções de voto.

Refira-se que a divulgação e comentários de resultados de sondagens eleitorais em Cabo Verde estão sujeitos a restrições previstas no Código Eleitoral. São proibidos desde o início da campanha eleitoral até à hora do fecho das mesas das assembleias de voto no dia marcado para as eleições, conforme estipula o artigo 99 do Código Eleitoral.

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Kimze Brito

Jornalista com 30 anos de carreira profissional, fez a sua formação básica na Agência Cabopress (antecessora da Inforpress) e começou efectivamente a trabalhar em Jornalismo no quinzenário Notícias. Foi assessor de imprensa da ex-CTT e da Enapor, integrou a redação do semanário A Semana e concluiu o Curso Superior de Jornalismo na UniCV. Sócio fundador do Mindel Insite, desempenha o cargo de director deste jornal digital desde o seu lançamento. Membro da Associação dos Fotógrafos Cabo-verdianos, leciona cursos de iniciação à fotografia digital e foi professor na UniCV em Laboratório de Fotografia e Fotojornalismo.

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