A ginga vai tomar conta da cidade do Mindelo a partir de hoje, dia 15, com a segunda edição do festival internacional de Capoeira “África mestê d’bô”, um projecto pensado e materializado pelo professor Djê Neves e o Graduado Énio e que reúne mestres, contra-mestres vindos do Brasil, Portugal, Itália, Espanha e Moçambique. Ontem, em conferência de imprensa, Djê Neves avançou que parte dos convidados já tinha chegado a S. Vicente e que estava prevista uma roda de boas-vindas na academia Liberdade Expressão.
Realizado a cada dois anos, o evento, que decorre até 17 de maio, comporta, rodas, aulas nas escolas e na localidade de São Pedro, mas também troca de graduação. Por coincidir com a campanha eleitoral, a maior parte das actividades irá acontecer na academia, um espaço descrito por Djê Neves como o “Quilombo” onde a cultura africana floresce permanentemente no seio do Mindelo, com dança, teatro, Capoeira e Carnaval.
Este professor explica que “África mestê d’bô” é um conceito pensado para manter viva e eternizar a Capoeira em S. Vicente e em Cabo Verde. Um convite, diz, à reconexão com a mãe África, um regresso ás raízes e ancestralidade.
O Graduado Énio reforça que a iniciativa visa dar continuidade sobre o entendimento do que é a Capoeira e enaltecer a sua força enquanto manifestação cultural. “Se soubermos tirar partido deste potencial, teremos uma ferramenta bastante poderosa a nível da educação, um veículo transmissor de valores e princípios para os jovens”, diz. O projecto, acrescenta, traz à tona esta consciência social embrenhada na Capoeira, que agrega componentes da sua musicalidade com a dança e a arte marcial.

Residente em São Salvador, no Brasil, Mestre René salienta que estar de novo em São Vicente permite reforçar a conexão com a ascentralidade e a espiritualidade africana. Uma oportunidade também para trazer e partilhar ensinamentos de Paulo dos Anjos, seu mestre.
“Desde a primeira vez que vim fiquei abismado com o trabalho desenvolvido pelo mestre Carlos Xexéu, como ele conseguiu em tão pouco tempo levar os alunos a entender a importância da Capoeira. Mas, fiquei pensando que não é propriamente mágica do mestre porque aqui ele encontrou a ancestralidade, a raiz da Capoeira”, diz Mestre René, para quem aqui, na África, é onde a Capoeira começa, por isso é mais profunda.
Além de dezenas de alunos, este encontro internacional reúne os Mestres René, Careca, Diandro, Tadeu Patuá e Capacete, os Contra-mestres Alfinete, Ceuzinho, Muçamba e os professores Nico, Didi e Treinel.







