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Agatha Majorie coroada para representar Cabo Verde no Miss Trans World: “Realização de um sonho e enorme responsabilidade”, diz a jovem de Santo Antão

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Cabo Verde vai marcar presença no concurso internacional Miss Trans World – 2027, representado pela candidata Agatha Majorie Silveira, 23 anos de idade, nascida no Tarrafal de Monte Trigo, em Santo Antão. Para o efeito, a jovem foi coroada esta quarta-feira no espaço Ocean CV, na ilha do Sal, “numa noite de glamour, emoção e celebração da diversidade”, um incentivo para a sua sonhada prestação numa passarela internacional de beleza.

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A conquista de Agatha Majorie, diz nota de imprensa do concurso, simboliza não apenas uma vitória pessoal, mas também um importante marco para a valorização da diversidade e da inclusão em Cabo Verde. “Reconhecida pela sua autenticidade, coragem e forte compromisso social, Agatha assume agora a missão de levar além-fronteiras uma mensagem de respeito, igualdade e empoderamento”, enfatiza a organização do evento, que vai decorrer na cidade italiana de Brescia em outubro.

Ser destacada para carregar a bandeira de Cabo Verde nesse evento internacional, representa para Agatha Majorie uma “enorme vitória pessoal”, mas também a realização do sonho de criança de um dia desfilar numa passarela internacional. “Confesso que não contava que a realização deste sonho fosse tão cedo. Nada é tão teu como um objectivo intrínseco. Quando carregamos algo no interior e confiamos no nosso potencial, isto tudo contribui para atingirmos a nossa meta”, frisa, em conversa com Mindelinsite. Acrescenta que quando recebeu o email confirmando a sua escolha para o concurso deixou escapar um grito de alegria. Este facto foi também visto como um motivo plausível para continuar a acreditar no seu processo de crescimento pessoal, enquanto mulher trans.

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“Ser trans em Cabo Verde não é algo fácil. É uma luta constante pela superação porque encontramos obstáculos e dificuldades ao longo do processo de transição”, pontua a jovem, que espera inspirar outras pessoas a aceitar quem são, tal como fez Tchinda, considerada a primeira mulher-trans em Cabo Verde. “Tchinda foi uma inspiração para mim. Se não tivesse assumido com coragem esta caminhada provavelmente eu não estaria onde estou hoje, por medo da negação e da rejeição – a transfobia”, salienta Agatha Majorie, para quem Tchinda abriu as portas para as trans conquistarem o seu espaço na sociedade cabo-verdiana.

Perguntada em que momento assumiu ser trans, Agatha corrige a questão. Para ela, o termo correcto será “aceitar”. “A partir do momento em que não te identificas com o teu género sexual ainda criança, e começas a levantar questões, isto mostra-te que algo não se encaixa. As pessoas devem fazer um esforço e entender que ser trans vai muito além da aparência física. É uma essência que nasce connosco”, diz a jovem, que decidiu se revelar ao mundo num sábado. Conta que foi de féria escolar no período do Natal e, no primeiro dia de regresso às aulas, entrou na sala trajando saia. Uma imagem que, recorda, provocou um choque tanto nos professores como nos alunos.

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Neste momento, Agatha está focada na preparação para o concurso Miss Trans World. Mostra-se, no entanto, confiante na sua prestação na passarela, um mundo que lhe é familiar, tendo em conta a experiência adquirida em Cabo Verde com a organização de concursos de beleza, nomeadamente “Miss e Mister Inter-Liceus”. “Vou estar sozinha num país desconhecido, mas saberei honrar a bandeira de Cabo Verde. Sei que haverá uma certa expectativa sobre a minha performance, por isso estou embrenhada nos preparativos”, revela a jovem formada em Contabilidade pelo ISCEE e que agora reside no Sal. Foi nesta ilha que encontrou o apoio do espaço Ocean CV, que organizou a sua coroação como Miss Trans.

Nesta condição, Agatha Majorie vai passar a representar o projecto social Brilhar com Orgulho, uma iniciativa voltada para a promoção da inclusão social, autoestima e capacitação da comunidade trans em Cabo Verde. O projecto tem como principal objetivo combater o preconceito e criar oportunidades reais de desenvolvimento pessoal e profissional para jovens trans e pessoas em situação de vulnerabilidade.

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Kimze Brito

Jornalista com 30 anos de carreira profissional, fez a sua formação básica na Agência Cabopress (antecessora da Inforpress) e começou efectivamente a trabalhar em Jornalismo no quinzenário Notícias. Foi assessor de imprensa da ex-CTT e da Enapor, integrou a redação do semanário A Semana e concluiu o Curso Superior de Jornalismo na UniCV. Sócio fundador do Mindel Insite, desempenha o cargo de director deste jornal digital desde o seu lançamento. Membro da Associação dos Fotógrafos Cabo-verdianos, leciona cursos de iniciação à fotografia digital e foi professor na UniCV em Laboratório de Fotografia e Fotojornalismo.

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