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José Maria Neves endereça carta a 20 homólogos africanos à procura de “frente unida” contra poluição marinha no Atlântico

O Presidente José Maria Neves endereçou uma carta de “sensibilização ambiental” a 20 homólogos africanos dos países ribeirinhos do Atlântico a propor o fortalecimento da cooperação para tentarem travar a poluição marinha na região. A ação do Chefe de Estado cabo-verdiano vem na sequência da missão que realizou no dia 21 de março à Reserva Natural Integral de Santa Luzia, a maior área marinha protegida de Cabo Verde, no exercício das funções de Patrono da Aliança da Década do Oceano e Champion da União Africana para a Preservação do Património Natural e Cultural de África.

Nessa ilha desabitada, Neves constatou no terreno, assim como representantes de várias instituições convidadas para a visita – nomeadamente da União Europeia e da FAO -, a “realidade alarmante” de acumulação sistemática de toneladas de plásticos nas costas do país, trazidos pelas correntes marítimas do Atlântico. “Estima-se que 75% deste lixo acumulado, que inclui redes, cordas e boias, seja proveniente da pesca industrial, e vem afetando gravemente a fauna endémica e os locais de nidificação de espécies marinhas críticas, tais como as tartarugas marinhas, designadamente em Santa Luzia, um importante local de nidificação a nível mundial”, lê-se na mensagem.

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José Maria Neves adianta que a problemática do lixo marinho não é um desafio isolado de Cabo Verde, mas um problema transfronteiriço que afeta a saúde dos oceanos e a sustentabilidade das economias azuis dos Estados ribeirinhos do Atlântico. Neste sentido, tomou a iniciativa de propor uma frente unida com os 20 países para enfrentarem os desafios marinhos, assente em princípios como: harmonização de políticas de gestão de resíduos, incentivando o uso de materiais de pesca mais biodegradáveis e amigos do ambiente; integração de cláusulas de responsabilidade ambiental em acordos de pesca, no sentido de um compromisso efetivo com a redução da poluição marinha; falar a uma só voz nos fóruns internacionais, como as Conferências sobre o Oceano, advogando a favor de soluções globais e financiamento para a mitigação de danos ambientais causados por resíduos transfronteiriços

Enquanto Patrono da Aliança da Década do Oceano, o PR mostrou-se crente de que, através de uma parceria colaborativa entre os países, nomeadamente no quadro da Iniciativa Africana dos Estados ribeirinhos do Atlântico, será possível transformar a ameaça ambiental numa oportunidade para reafirmar o compromisso geral com a preservação e valorização do património marinho africano. Deixou ainda explícito na missiva o “firme desejo” da imprescindível colaboração dos homólogos para que todos possam atingir o oceano que desejam até 2030.

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A carta foi endereçada aos presidentes de Angola, Benin, Camarões, Congo, Côte d’Ivoire, Congo (Democrático), Gabão, Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné-Equatorial, Libéria, Mauritânia, Marrocos, Namíbia, Nigéria, Senegal, Serra Leoa, Togo.

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Kimze Brito

Jornalista com 30 anos de carreira profissional, fez a sua formação básica na Agência Cabopress (antecessora da Inforpress) e começou efectivamente a trabalhar em Jornalismo no quinzenário Notícias. Foi assessor de imprensa da ex-CTT e da Enapor, integrou a redação do semanário A Semana e concluiu o Curso Superior de Jornalismo na UniCV. Sócio fundador do Mindel Insite, desempenha o cargo de director deste jornal digital desde o seu lançamento. Membro da Associação dos Fotógrafos Cabo-verdianos, leciona cursos de iniciação à fotografia digital e foi professor na UniCV em Laboratório de Fotografia e Fotojornalismo.

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