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“Ot Lod d´Soncente”: Denúncia e solidariedade em prol dos mais pobres

Um grupo de cinco jovens mindelense decidiu criar um canal no Youtube intitulado “Ot lod d´Soncente” para denunciar as situações de pobreza e de injustiça social na ilha de São Vicente e cobrar o cumprimento das promessas feitas pelas autoridades, sobretudo durante as campanhas eleitorais para as autárquicas de 2020. O impacto desta iniciativa inédita em Cabo Verde foi tão grande que hoje, para além das denúncias, estes jovens criaram uma página no Facebook e, paralelamente, enveredaram-se pela solidariedade social. O próximo passado é transformar Ot lod d´Soncente em associação.

Ludilene Fortes, que se apresenta como porta-voz do grupo, explica que ideia inicial era trazer informações sobre a ilha de São Vicente, para que as pessoas, sobretudo as que residem fora da ilha, possam inteirar-se dos problemas que algumas famílias enfrentam, através de fotografias e vídeos. “Tive esta ideia ainda estava na universidade a fazer a minha licenciatura em Ciências da Comunicação. A minha ideia era fazer uma reportagem na Lixeira com os seus moradores. Na altura não conhecia a zona de Irak, mas, quando fui no terreno, decidi juntar e fazer um trabalho único.”

Inicialmente eram apenas três jovens, mas foram surgindo outros interessados e neste momento são cinco os integrantes deste projecto, que já conta também com algumas parcerias no país e lá fora. “Fui cameraman e também fiz a edição e montagem da reportagem. Um outro colega foi o repórter e tínhamos um outro cameraman. Contamos ainda com ajuda em termos de equipamentos de uma pessoa que veio de Portugal”, refere.

Decidiram então criar o conceito “Ot Lod d´Soncente”. O propósito, agora, não é apenas mostrar a situação de precariedade em que algumas pessoas vivem. O grupo quer afectar o sistema. “Queremos que as autoridades tenham cada vez mais receio das nossas publicações porque iremos trazer as situações de injustiça, pobreza extrema e outros a lume. As nossas denúncias serão sempre em forma de fotografias e vídeos nas nossas redes sociais”, assevera.

Outro propósito destes jovens é obrigar as autoridades locais a cumprir as promessas, principalmente as feitas durante as campanhas eleitorais. “Queremos tocar nas feridas e obriga-los a cumprir”, afirma Luddy Fortes, realçando que este projecto nasceu em S. Vicente, mas pode expandir para as outras ilhas porque os problemas são similares.

Solidariedade

Paralelamente, o grupo decidiu enveredar pela via da solidariedade. “Começamos agora a dar os primeiros passos. Não queremos apenas criticar. Queremos também ajudar. Neste sentido, pensamos criar uma associação com o mesmo nome para que possamos obter ajudas para apoiar aqueles que precisam. E felizmente tem dado certo. Recentemente entregamos cerca de 80 cestas básicas aos moradores do Irak e de outras zonas que enfrentam dificuldades.”

Estes moradores, prossegue a nossa entrevistada, foram beneficiados também com roupas e outros objectos, resultante dos contactos que o grupo vai conseguindo através das redes socias. “Muitas pessoas que viram os nossos vídeos entraram em contacto connosco, manifestando o desejo de apoiar. Foi desta forma que conseguimos obter algum dinheiro. Compramos muitos produtos, transformamos em cestas básicas e fomos distribuir nestas localidades.”

Esta jovem acredita que, com a criação de uma associação, as actividades do grupo ganharão maior credibilidade, transparência e terão um maior alcance, inclusive a nível internacional. Ainda estão na fase inicial, mas esperam fazer muito mais para as pessoas mais carenciadas. “Já conseguimos algumas parcerias, nomeadamente a Fundação Gestrudes Júlia Pinheiro, com o Sr. Ismael Silva, que está muito entusiasmado em ajudar-nos. Por exemplo, já disponibilizou dois camiões de água para os moradores de Irak”

Numa segunda fase, pontua, Ismael Silva promete enviar alimentos para beneficiar os moradores. Paralelamente, estão a fazer contactos com algumas empresas, nomeadamente a Electa, no sentido de garantir um fornecimento regular de água aos moradores desta comunidade. “Estamos a correr atrás para tentar ajudar estas pessoas. No caso da Lixeira e do Irak buscam o seu sustento no lixo. Precisam de ajuda e estamos empenhados nisso.”

Mas vão continuar a descobrir e denunciar as situações de injustiça social, caso de um jovem que pretendia viajar para a ilha de Santiago no dia 29 de abril e que passou largas horas à espera do barco. E, mesmo após o embarque, teve de esperar mais tempo alegadamente por conta de uma avaria no morto do navio.

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