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Marcha em São Vicente apela à proteção das crianças e ao fim do silêncio sobre abusos sexuais

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Estudantes de diferentes estabelecimentos de ensino, representantes das comissões de finalistas e membros da sociedade civil participaram neste sábado, 7 de novembro, numa marcha em São Vicente, sob o lema “Ami também é um vítima”. A iniciativa, integrada numa mobilização nacional, surgiu na sequência do caso Aurora, na ilha do Sal, e pretende sensibilizar a sociedade para a violência sexual contra crianças e adolescentes, incentivar as denúncias e exigir maior proteção às vítimas.

A manifestação percorreu algumas das principais artérias da cidade do Mindelo, com concentração na Praça Dom Luís e passagem pela Rua de Lisboa e outras zonas da cidade. A ação contou com a participação de estudantes, com destaque para o Liceu Ludgero Lima, a Escola Secundária José Augusto Pinto (Pintin) e a Escola Técnica.

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Em declarações, Lucas Duarte, presidente da Comissão de Finalistas do Liceu Ludgero Lima, explicou que a mobilização partiu de uma iniciativa de Larissa Estrela, residente em Portugal, que envolveu as comissões de finalistas das diferentes ilhas na organização da marcha. “Ela decidiu avançar com este projeto juntamente com as comissões de finalistas das ilhas para realizar esta manifestação. Nós também decidimos juntar-nos e ajudar naquilo que estivesse ao nosso alcance, porque não queremos que esta situação continue”, afirmou.

O estudante destacou que um dos principais objetivos é encorajar as vítimas a denunciarem os abusos e a procurarem apoio, sem receio de serem julgadas. “Quem já passou por uma situação de violência não pode continuar calado. Queremos acolher as pessoas que viveram essas experiências e têm medo de falar, para que possam procurar-nos e receber ajuda”, sublinhou.

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Lucas Duarte defendeu ainda a criação de mecanismos de acompanhamento psicológico e uma maior intervenção das instituições de proteção de menores, apelando igualmente a penas mais severas para os autores de crimes sexuais.

Por sua vez, Priscila Lopes, presidente da Comissão de Finalistas da Escola Secundária José Augusto Pinto (Pintin), salientou a importância de incentivar as vítimas a quebrarem o silêncio e a procurarem ajuda junto de pessoas de confiança. “A nossa intenção é incentivar a população, principalmente as vítimas, a não ficar calada e a continuar a falar. É importante que cada pessoa tenha alguém em quem confie, seja a mãe, o pai ou um amigo, alguém que saiba ouvir e possa ajudar”, declarou.

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A estudante chamou também a atenção para o papel das famílias no acolhimento das vítimas, defendendo que os relatos devem ser recebidos sem julgamentos, mesmo quando os suspeitos pertencem ao próprio círculo familiar. “É muito triste, mas muitos destes casos acontecem dentro das próprias famílias. Por isso, é fundamental ouvir sem julgar. Essa é a base de tudo. É preciso denunciar, independentemente de o agressor ser o pai, o tio ou outro familiar”, apelou.

Já Frederica Fortes, representante do Liceu Ludgero Lima e uma das responsáveis pelo movimento em São Vicente, afirmou que a marcha quer chamar a atenção do Governo, das famílias e dos educadores para a gravidade dos abusos sexuais contra menores. A jovem defendeu que a sociedade deve concentrar-se na proteção das vítimas e na responsabilização dos agressores. “O que precisamos é de dar voz às vítimas e garantir que as crianças estejam protegidas. Não podemos aceitar que a única resposta seja afastar o agressor da criança, sem que haja uma verdadeira responsabilização”, afirmou.

Frederica Fortes espera que a mobilização contribua para uma maior consciencialização da sociedade e para mudanças na atuação das autoridades. “É preciso que as coisas mudem, sobretudo no que diz respeito à proteção das crianças”, frisou, apelando também às famílias para que estejam mais atentas e criem condições para que os menores possam falar sobre situações de violência.

A marcha em São Vicente integrou uma mobilização nacional denominada “Ami também é um vítima”, que apelou à participação de todas as ilhas e dos liceus do país, envolvendo estudantes, pais, professores e famílias, sob a mensagem de que o silêncio não pode continuar perante situações de abuso sexual. A marcha acontece na sequência da indignação pública em torno da Operação
Aurora, na ilha do Sal, que investiga uma alegada rede de exploração sexual de menores.

De recordar que, no âmbito de investigações iniciadas em julho de 2025, a Polícia Judiciária anunciou a detenção de mais nove suspeitos, elevando para 25 o total de indivíduos detidos, dos quais 18 se encontram em prisão preventiva. Os suspeitos respondem por alegados crimes de prostituição de menores, lenocínio, abuso sexual de crianças e agressão sexual de menores, na forma continuada.

Ronice Fortes (Estagiária)

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Constanca Pina

Formada em jornalismo pela Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ). Trabalhou como jornalista no semanário A Semana de 1997 a 2016. Sócia-fundadora do Mindel Insite, desempenha as funções de Chefe de Redação e jornalista/repórter. Paralelamente, leccionou na Universidade Lusófona de Cabo Verde de 2013 a 2020, disciplinas de Jornalismo Económico, Jornalismo Investigativo e Redação Jornalística. Atualmente lecciona a disciplina de Jornalismo Comparado na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV).

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