Três formando estão a aprender técnicas de conservação e restauração de livros e documentos, curso com um mês de duração ministrado pelo artesão Marcelo Rodrigues no Quintal das Artes, na cidade do Mindelo. A formação, que termina no dia 11 de setembro, teve início a 11 de agosto e, segundo o formador, o grupo está a revelar uma satisfatória dinâmica e elevado nível de interesse nas aulas.
“Prefiro trabalhar com 3 pessoas interessadas em aprender do que com uma turma de 20 alunos, mas sem nenhuma motivação”, salienta Marcelo Rodrigues, que enaltece a extraordinária capacidade de aprendizagem dos formandos. Em apenas duas semanas de aula, diz, já conseguem desmontar um livro, recuperar as folhas e voltar a coser o mesmo sem a sua orientação. Como prova, mostrou ao jornalista um livro em processo de recuperação que se encontrava praticamente pronto, faltando apenas a capa. O professor realça ainda que os alunos – um homem e duas mulheres – continuam a exercitar mesmo em casa.
Formado em conservação e restauração documental, Marcelo Rodrigues diz que se trata de uma actividade profissional muito rara em São Vicente, aliás, em Cabo Verde. Ele que já trabalhou na Câmara dos Mosteiros, no Fogo, onde efectuou a recuperação de importantes documentos.
“A restauração concede outra vida aos livros e documentos. É um processo minucioso, que exige muita concentração e paciência, e de enorme importância para a conservação da própria história e memória”, enaltece esse profissional, que ganhou paixão pela área influenciado pelo pai Miguel Rodrigues, um antigo faroleiro natural do Fogo, que foi transferido da ilha de São Nicolau para S. Vicente.
Na terra do Porto Grande, Marcelo Rodrigues tem prestado serviço a algumas instituições e privados. Um trabalho que ele praticamente faz a solo. Com a formação em curso, afirma que vai passar a dispor de apoio quando precisar, nomeadamente durante as suas actividades na feira URDI, que acontece anualmente na cidade do Mindelo.
Em certas ocasiões, diz Marcelo Rodrigues, o restaurador pode trabalhar com documentos muito confidenciais, por exemplo, de carácter judicial. Nesses casos, diz, o profissional deve evitar mesmo ler os conteúdos e tem de assegurar toda a confidencialidade à entidade que requisitou o serviço. Durante a sua trajetória já passou por essa experiência e, diz, tudo decorreu de forma segura.
O curso em restauração e conservação documental decorre no Quintal das Artes, espaço que acolhe 15 artesãos e está a ganhar uma nova dinâmica cultural na cidade do Mindelo.







