O médico Gilson Alves foi detido ontem pela Polícia Judiciária na ilha de Santo Antão. A detenção ocorreu ao início da noite com base num mandado emitido pelo Ministério Público por alegados crimes de arma e formação de quadrilha. O ex-candidato do PTS a Presidente da República foi, entretanto, trazido para a ilha de S. Vicente, onde se encontra preso.
Esta ordem de captura acontece quase um mês depois de ter concedido uma entrevista à Televisão de Cabo Verde, na qual diz apresentar mais uma candidatura à Presidência da República e aparece acompanhado de 4 homens encapuzados e armados com faca, catana e uma barra de ferro num ambiente escuro. Nas suas declarações, o ex-Presidente do PTS deixou claro que o seu principal objectivo será acabar com a “podridão” da justiça em Cabo Verde, quando for eleito Chefe de Estado. Assegurou que “desta vez” vai ganhar “à jeito ou à força”. Para fazer isso, argumenta, irá implantar um sistema autoritário, onde terá poder absoluto enquanto Chefe de Estado.
Gilson Alves reforça que será um Presidente-executivo e assumiu ser defensor da instauração da pena de morte em Cabo Verde, principalmente para Juízes e Procuradores da República “corruptos”. Adiantou ainda que a primeira coisa que vai acontecer, “se for eleito PR”, será a divulgação de uma lista de pessoas que deverão ser executadas imediatamente e legalmente. E quem executar a ordem, diz, irá receber metade da riqueza da pessoa morta.
Na sequência da reportagem, o Conselho Regulador da ARC deliberou logo no dia seguinte abrir um processo de averiguação à TCV sobre a controversa entrevista. O intuito será apurar eventuais responsabilidades da televisão pública ao publicar a peça jornalística, no quadro do cumprimento das normas legais e regulamentares aplicáveis ao exercício da atividade de comunicação social.







