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E. Tavares afirma que queria apenas “olhar” o edil A. Neves na cara: “Fui invadido por fortes emoções e perdi o controlo”

O taxista Emiliano Tavares explicou ao Mindelinsite que ontem fez ataques pessoais ao edil Augusto Neves na sessão da assembleia municipal porque ficou revoltado ao ver finalmente arranjado, e com mais segurança, o camião que transportava a sua falecida esposa no fatídico acidente na rotunda de Fonte Meio. Essa imagem, confessa, deixou-o transtornado porque, diz, se isso tivesse acontecido antes a mulher Cátia Cristina, 38 anos, ainda estaria viva.  Como afirma, foi a gota de água que fez transbordar o copo.

“Fui lá ver Augusto Neves na cara porque, para mim, ele é o grande culpado por esse acidente que ceifou a vida à minha mulher e mãe dos meus filhos. Digo isto porque num debate na rádio ele afirmou que as viaturas da Câmara Municipal não transportavam funcionários nas caixas e todos sabemos que isso não era verdade. Prova disso foi este acidente”, desabafou Tavares esta manhã em conversa com este diário digital. Segundo esse taxista, fez este contacto porque vai continuar a sua luta por justiça e também porque não quer deixar o caso cair em esquecimento.

Tavares assegura que a perda da mulher vai ser uma carga emocional para toda a sua vida. E sempre que passa pelos lados da rotunda de Fonte Meio, onde aconteceu o acidente no dia 27 de janeiro, é invadido por lembranças e uma dor revoltante. “Tento evitar passar por esses lados, mas nem sempre é possível porque o meu percurso depende do destino dos clientes”, enfatiza o taxista.

Segundo Tavares, outro aspecto que motivou o seu comportamento na sessão da assembleia municipal foi ter sabido de fonte credível que a esposa não tinha seguro de trabalho e que os descontos que ela fez durante 16 anos de serviço não foram enviados para o INPS. Questionado se foi certificar esse dado junto da Previdência Social, Tavares respondeu negativamente, mas sublinha que essa informação é de uma fonte muito segura. “Mas isso é fácil de saber. Se a situação no INPS está regularizada certamente foi depois da denúncia”, salienta Tavares, que quer saber onde foi parar o dinheiro dos descontos feitos pela sua mulher e outros funcionários da autarquia. 

Emiliano Tavares explica que foi para a sessão da assembleia com a intenção de apenas olhar o presidente da CMSV nos olhos. Entretanto, acabou por ser invadido por emoções fortes e ficou descontrolado. “Fui retirado da sala por agentes da PN, mas estes deixaram claro que entendiam a minha situação e que não estavam a prender-me. Fui levado para a Esquadra e sai depois de já estar mais calmo”, esclarece Tavares, que promete continuar a lutar para evitar a ocorrência de mais acidentes. É que, diz, há outras viaturas da CMSV que precisam de manutenção e podem constituir perigo para a segurança dos trabalhadores.

Sessão suspensa

Devido a esse episódio, a reunião dos eleitos municipais de S. Vicente foi suspensa ontem. Abordado pela Inforpress e a RCV, o edil Augusto Neves disse lamentar a morte da funcionária da CMSV, pois, para ele, foi uma situação triste. Segundo Neves, tratou-se de um acidente de trabalho, assegurou que foi feita uma averiguação e que a edilidade irá dar “todo” o apoio aos familiares da vítima. Neves lembrou que quando tudo aconteceu estava em tratamento em Portugal, mas que o presidente substituto deu um acompanhamento de perto do caso.

Entretanto, o autarca desmentiu que os funcionários da autarquia não estejam a ser contemplados pela previdência social. “Nós temos um acordo com o INPS, porque trabalhamos com as empresas, tudo funciona com normalidade. Agora, as pessoas confundem o seguro do INPS com o obrigatório. Há muitos serviços da camara que não têm seguro obrigatório”, reiterou Neves, citado pela agencia Inforpress. O autarca, acrescenta este órgão de comunicação social,  esclareceu que o seguro obrigatório é reservado para “serviços de risco” como bombeiros e fiscalização.

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