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Docentes e funcionários da UniPiaget ponderam partir para greve para exigir salários em atraso

Os colaboradores da Universidade Jean Piaget de Cabo Verde, professores e funcionários, entregaram um pré-aviso de greve agendado para os dias 11 a 15 de outubro próximo. Com duração prevista de cinco dias, reivindicam o pagamento de seis, cinco e quatro meses de salários em atraso, situação que, dizem, provocou graves consequências na sua vida privada. A expectativa é de uma boa adesão para forçar esta instituição de ensino superior a honrar os compromissos.

Dizem que a situação se arrasta há muitos anos e estão cansados de esperar por uma solução, que tarda. Por isso mesmo decidiram agora avançar para uma greve, que deverá abarcar a sede e o Polo de São Vicente. “Estamos agastados com esta situação. Temos docentes e funcionários com seis meses, cinco e quatro meses de salários em atraso. É uma situação complicada porque temos as nossas responsabilidades”, revela uma fonte Mindelinsite.

Esta garante que já enviaram várias cartas aos responsáveis e reuniram-se com a administração em São Vicente, com a administradora geral na Praia e, mais recentemente, com o presidente e fundador do Instituto Piaget, que reside em Portugal, mas esteve recentemente em São Vicente. “Depois de ouvir as nossas reivindicações, este limitou-se a dizer-nos para termos força e desejou-nos sorte porque não há dinheiro para pagar os salários em atraso”, desabafa.

Inconformados, os colaboradores entregaram um pré-aviso de greve na semana passada. Alegam que há professores a tempo inteiro e parcial, mas também funcionários com até seis meses de salários em atraso. Mas a situação é ainda mais grave para alguns docentes que prestam serviço na UniPiaget e que estão há três anos sem ver a cor do dinheiro. “Em SV, a nova administração triplicou as dívidas para com os docentes. Antes, os atrasos eram de apenas dois meses, agora estamos a falar em seis. Por causa disso, os colaboradores desta instituição estão enfrentando dificuldades para pagar empréstimos bancários e outros. Os que vivem de aluguel estão a ser despejados pelos senhorios”, acusam.

Situação crítica em S. Vicente

Estes alegam que a situação é mais crítica em São Vicente, onde a instituição paga um aluguel mensal de 700 contos pelo espaço que ocupa no coração da cidade, que também está atrasado, e um salário mensal de 300 contos para a administradora. “O mais caricato é que quando procuramos a administradora local para reclamar do salário em atraso, ela faz questão de dizer aos funcionários que, no seu caso, as suas dívidas estão a ser pagas pelo marido. Mas e nós que não temos quem arcar com as nossas despesas?”, interroga uma outra fonte.

Confrontada, a administradora em São Vicente, Ariana Rego, direcionou o Mindelinsite para a administradora geral, Roseli Rocha, na Praia. Esta não fugiu às questões. Admite os atrasos salarias, mas garante que não tem faltado diálogo com os colaboradores para explicar-lhes as dificuldades da instituição para liquidar as dívidas, inclusive o próprio presidente e fundador da UniPiaget, António Oliveira Cruz, terá deslocado à Cabo Verde para reunir com o pessoal e com as autoridades na tentativa de desbloquear alguns dossiês pendentes. “Infelizmente, estamos a aguardar algumas respostas do Governo, que tardam em chegar para avançarmos com alguns projectos que vão nos permitir resolver muitas pendencias. De facto, temos um atraso salarial que se arrasta a cerca de dois anos, que paulatinamente temos vindo a resolver. Infelizmente, ainda não conseguimos eliminar todas as dívidas”, confirma.

Roseli Rocha reconhece que os colaboradores têm alguma razão de estarem descontentes por causa do atraso salarial, decorrente da diminuição do número de discentes em anos anteriores, falta de chuva e da pandemia da Covid-19, que impediram os alunos de liquidarem as propinas. Por causa disso, a UniPiaget não conseguiu arcar com as responsabilidades para com os colaboradores.

Mas a administradora geral mostra-se confiante porquanto, diz, a procura pela instituição tem vindo a aumentar e também acredita no desbloqueio dos dossiês por parte do Governo. “Neste momento, temos cerca de 150 prestadores de serviço, alguns com horários completos outros com tempo parcial. Quando ao número de alunos, após alguns anos com redução, nos últimos dois anos tivemos um aumento paulatino. E, para este ano, as perspectivas são boas”, avança.

Relativamente às despesas com aluguer do espaço onde está localizado o Polo da UniPiaget em São Vicente, Roseli Rocha reconhece que, de facto, o valor é elevado, mas informa que estão a equacionar a possibilidade de construir um edifício próprio na ilha do Porto Grande. Aliás, agora que o presidente esteve em São Vicente, tiveram inclusive um encontro com a Câmara Municipal para abordar esta questão. “Estamos confiantes em dias melhores.”

Foto: Ilustração sala de aula na UniPiaget no Mindelo

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