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ARFSV institui troféu “Dukinha” e “Dany” em homenagem aos dois futebolistas falecidos em acidentes de viação

Os troféus de melhor marcador e guarda-redes do campeonato regional de futebol de S. Vicente vão carregar esta época os nomes dos malogrados atletas Dukinha e Dany, ambos falecidos em acidentes de viação. Segundo César Lima, a Associação Regional de S. Vicente decidiu desta forma homenagear esses dois jovens que perderam a vida de forma trágica e quando ainda estavam a dar o seu contributo para o desenvolvimento da modalidade na cidade do Mindelo.

“Eu e outro colega da direção achamos por bem homenagear esses dois jovens pelo contributo que deram ao futebol de S. Vicente e de Cabo Verde e que nos deixaram muito cedo”, informa o presidente da ARFSV.

Esta decisão, acrescenta Lima, foi tomada anteontem logo após o sorteio para o Torneio de Abertura da nova temporada futebolística, que começa no dia 23 deste mês. Uma época que contempla o campeonato e a Taça de S. Vicente, agendada para os dias 20, 22 e 23 de janeiro. “Temos de retomar as actividades porque estivemos dois anos parados. Ainda continuamos em situação de contingência, pelo que não teremos público nas bancadas”, salienta César Lima abordado por Mindelinsite durante o cortejo fúnebre de Dukinha, realizado ontem à tarde.

Tal como toda a gente, Lima ficou em choque com a notícia do acidente que vitimou Dukinha na estrada de S. Pedro quando seguia para o aeroporto num automóvel com os amigos Ponck e Hélder Tavares, jogadores da seleção de Cabo Verde, horas depois da vitória sobre a seleção da Libéria no estádio Adérito Sena. Para esse dirigente desportivo, a morte de Dukinha representa uma perda irreparável para os familiares e a comunidade futebolística pelo seu carácter e qualidade desportiva.

A iniciativa da ARFSV de instituir os prémios Dukinha e Dany foi aplaudida por Toi Adão, jogador do clube Mindelense, e Ivan Lopes, capitão do Falcões do Norte, dois dos emblemas que esses falecidos jogadores carregaram ao peito. Visivelmente emocionados, Toi Adão e Ivan Lopes consideraram que os dois atletas merecem essa homenagem por aquilo que deram ao futebol e pelas lembranças positivas que deixaram no seio dos familiares e amigos. “Estou plenamente de acordo com esse gesto porque contribuíram para dar mais qualidade e visibilidade ao nosso futebol”, diz o atleta do CS Mindelense. Já o jogador do Falcões do Norte frisa que se trata de um reconhecimento merecido a dois jogadores que foram em vida amigos especiais um do outro.

Passagem do funeral pela rua dos clubes Académica do Mindelo e Derby

Quem também ficou emocionado com esta notícia foi Djamilo Spencer, irmão de Dukinha e amigo muito próximo de Dany. Na verdade, Dany cresceu em Chã de Alecrim e vestiu as cores do Falcões do Norte tal como Djamilo e Dukinha. “Fico muito contente com esta homenagem e agradeço a associação em nome da família”, comentou Djamilo, que tinha uma relação muito especial com Dukinha. Como diz, gosta de todos os irmãos, mas sentia uma ligação mais forte com o falecido irmão, que retrata como um homem honesto, cordial e muito brincalhão.

Há cerca de um mês Djamilo regressou de férias a S. Vicente e passou boa parte do tempo na companhia de Dukinha. “Despedimo-nos com um até breve, mas não esperava que fosse desta forma”, lamenta esse emigrante e músico.

Hoje as palmas são de despedida de Dukinha

O funeral de Dukinha foi marcado por salvas de palma desde a saída do corpo da residência dos familiares em Chã d’Alecrim até ao cemitério. O cortejo partiu às 15.30, hora marcada, e fez uma primeira paragem em frente à sede do Falcões do Norte, clube onde iniciou a sua carreira como jogador federado. Depois seguiu para a igreja Nossa Sra da Luz ao som de mornas sentidas.

O cortejo passou pela sede do CS Mindelense, na Rua da Praia dos Botes

Feita a missa de corpo presente, o funeral fez mais três paragens simbólicas em frente aos clubes Académica do Mindelo, Derby e Mindelense. Momentos recheados de emoção e que levaram a multidão a fazer sentidas ovações a Dukinha, com fortes salvas de palma. A mesma atitude tiveram os amigos que entraram no cemitério para depositar o corpo desse jovem conhecido pela sua humildade e talento nato para o futebol.

“Dukinha arrastou muita gente para os estádios de futebol, onde foi aplaudido. Hoje, infelizmente, as palmas são em sinal de respeito neste momento de despedida. Mas ele certamente vai ficar na nossa memória e coração para sempre”, frisa Djamilo Spencer.

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