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Casa d’Poço: uma residencial que alia a cultura cabo-verdiana à arte moderna, robustez e comodidade

Localizada em pleno coração da cidade do Mindelo, a residencial Casa d’ Poço é uma obra arquitectónica assinada pelo arquitecto alemão Michael Heim com arte para marcar a diferença no sector do turismo em S. Vicente. Equipada com sete suítes e quartos singulares, com capacidade para acomodar 15 hóspedes, tem por detrás do seu baptismo uma história que a investidora Juliette Brinkmann tentou preservar e enaltecer. O fio condutor desse conto reside num antigo poço encontrado numa casinha demolida na rua Guiné-Bissau para dar lugar ao empreendimento, que foi reaberto e enquadrado na arquitectura do edifício. Hoje é com a água extraída do velho poço que irriga as plantas que ornamentam o espaço interior e permitem criar uma atmosfera amena e agradável no prédio.

Com um design inspirado na cultura cabo-verdiana, a guesthouse destaca-se pela sua robustez tanto externa como interna, mas ao mesmo tempo leve, moderna e aconchegante. O projecto visou aliar na estrutura e fachada do edifício as características da cidade do Mindelo e o conceito dos “terraços” agrícolas da ilha de Santo Antão. Um dos objectivos, plenamente alcançado, foi provocar um desvio em cascata da água da chuva na sua fachada, mas sem que invadisse a varanda dos quartos. Segundo Juliette Brinkmann, isso foi testado e provado durante a precipitação intensa que caiu em S. Vicente no passado mês de setembro.  

“Vim para Cabo Verde há cerca de 14 anos porque precisava encontrar um lugar sem muita humidade para viver, por motivos de saúde. Este arquipélago, que não conhecia antes, mostrou-se ideal por causa do seu clima, mas também por ser um país sem guerra e onde a mulher não sofre tanta discriminação como noutros lugares do mundo. Para mim, a paz social é o diamante deste pequeno grande torrão”, começa por contar essa fotógrafa alemã.

Nos primeiros tempos, Julie, como é tratada pelos amigos, quis conhecer todas as ilhas do arquipélago. Juntou, assim, a sua arte com o turismo e levou exposições fotográficas a todos os recantos do país. Isso permitiu-lhe conhecer a realidade das cidades e campos de cada ilha, mas também as suas gentes. “Aprendi a falar o crioulo e ficou mais fácil para mim a convivência social”, enaltece.

Apaixonada por Mindelo, a alemã quis arranjar moradia própria na ilha de S. Vicente. Até que ficou a saber que os donos de uma casa velha situada no coração da cidade queriam vender-lhe o terreno. “Inicialmente não acreditei. Era muita sorte encontrar um terreno no meio da cidade.” Juliette Brinkmann ficou entretanto a saber que os donos só fechariam negócio se prometesse concretizar uma obra de interesse social e não usar o lote para especulação.

Dada a palavra, a alemã apostou numa residencial. O passo seguinte era encontrar um arquitecto com a sensibilidade e conhecimento necessário para desenhar algo resistente ao tempo, mas que tivesse uma dimensão arquitectónica expressiva. “Acabei por abordar um arquitecto alemão meu amigo há cerca de 30 anos e que é bastante conhecido na Alemanha. Além de arquitecto ele é um artista conceituado em Berlim”, revela Julie.

Deste modo, Michael Heim veio a S. Vicente conhecer a realidade urbanística envolvente do espaço e fez ainda uma deslocação a Santo Antão, à procura de materiais que poderia usar na construção. É na ilha das montanhas que o arquitecto se inspira nas “cascatas” de pedra usadas nos terrenos agrícolas para amparar a força da chuva. Transfere esse conceito para a fachada com um design de vigas de madeira e ao mesmo tempo concebe o edifício de modo a que a água da chuva escorra em “escada” pela parede, mas sem invadir o interior.

Além deste pormenor, Heim concebe um prédio de quatro pisos com uma torre e um terraço, onde aplica uma técnica milenar de circulação do ar usada em construções feitas em paises da África oriental. Desta forma todo o edificio é alimentado pelo movimento suave do ar, sem precisar recorrer a equipamentos de ar condicionado.

Outra preocupação foi conter o ruído no espaço onde é produzido. “Queria uma casa que pudesse durar gerações e fosse amiga do ambiente”, como realça a proprietária desse edifício, que utiliza energia solar.

Além de um amplo quintal-restaurante, a guesthouse dispõe de uma galeria. O objectivo é dinamizar o espaço com actividades artísticas, que podem ser desenvolvidas por autores nacionais e estrangeiros, enfim, um lugar de intercâmbio. A ideia passa por “oferecer” acolhimento aos artistas e estes retribuem, por exemplo, com uma exposição.

Tal como outros empreendimentos turísticos, Casa d’Poço também sentiu os efeitos da pandemia da Covid-19. O movimento dos hóspedes caiu, mesmo assim a proprietária manteve todos os funcionários no activo, tendo apenas reduzido a carga horária de serviço. 

Para se adaptar ao momento, apostou na realização de algumas actividades direcionadas para famílias pequenas e crianças. Assim, promoveu a actividade denominada “uma mesa e um jantar” e uma tarde-noite de cinema para crianças. O espaço tem ainda programado a abertura de uma exposição fotográfica da autoria da própria Juliette Brinkmann no dia 17 de abril, uma homenagem à casa antiga.

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