Opinião

Recenseamento Eleitoral na Diáspora – um olhar de dentro para fora

Por: Marisa Moura

Ora bem, não se espantem que no dia 17 de Outubro tenhamos, mais uma vez, valores elevadíssimos de abstenção, quem sabe até mais recorde. Até quando?

O processo eleitoral teve início em Cabo-Verde com as Autárquicas a 25 de Outubro, teve continuidade com as Legislativas’21 no passado 18 de Abril e ficará concluído com as Presidenciais agendadas para Outubro próximo.

Conhecidos os resultados oficiais, investidos os Deputados e empossado o Governo, foi entretanto retomado o recenseamento eleitoral. Lamentavelmente, as falhas anteriormente identificadas e já sobejamente propaladas, persistem.

Falo de Portugal, país onde resido, cuja realidade conheço muito bem, mas arriscaria dizer que esta é uma situação transversal a toda Diáspora. Lemos e ouvimos inúmeras vezes que os Cabo-verdianos que estão fora têm uma participação muito reduzida, facto que resulta numa elevada taxa de abstenção. Será que quem de direito já reflectiu sobre as causas e tentou debelar esta realidade?

Continuamos a ter agentes recenseadores em pontos estratégicos, com elevados custos para o erário público com a finalidade de recensear cidadãos Cabo-verdianos em horários de escritório 09h/10h-17h.

Se num período pré-Legislativas tivemos muitas restrições de circulação no combate à Covid, actualmente tal não se verifica. Também sei que irão dizer-me que são os horários possíveis pois corresponde ao período de funcionamento das instituições que amavelmente aceitam receber a Brigada e continuamos a desperdiçar recursos humanos e económicos para no fim alcançar um resultado que nada nos orgulha.

Alguém terá pensado que o cidadão comum trabalha e fica, automaticamente, impossibilitado de se deslocar ao posto de recenseamento? Falo por experiência própria, mas não só. Preciso concretizar uma transferência de local de voto, não esperem que mesmo em teletrabalho, entre mais tarde, ou saia mais cedo, porque o horário dos agentes recenseadores em qualquer localidade coincide com o meu. Esperam que almoce a correr, ou fique sem almoçar para concretizar o meu desejo? Preocupa-me, profundamente, que se insista numa prática que é claramente infrutífera, digo mais e sem medo de errar, pouco ou nada se faça para remar contra a maré e levar este barco a bom porto. 

Ora bem, não se espantem que no dia 17 de Outubro tenhamos, mais uma vez, valores elevadíssimos de abstenção, quem sabe até mais recorde. Até quando?

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