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Os eternos “velhos do Restelo”

Por: Marisa Moura

Nas últimas semanas vêm-se multiplicando as notícias que nos dão conta da falta de mão-de-obra em Portugal, nomeadamente em funções da área de hotelaria e restauração, bem como da construção civil, constituindo para alguns uma oportunidade a explorar.

É exactamente por aí que quero começar, para alguns. O que é bom para uns, não tem de ser, nem é necessariamente o melhor para outros. Como tudo na vida há prós e contras, pelo que cabe a cada um fazer a sua análise e, consequente, avaliação e decisão.

No que diz respeito à Escola de Hotelaria e Turismo goza de reputação internacional, sendo referenciada por Portugal e Luxemburgo, há-que saber tirar os devidos proveitos e maximizar as vantagens. Em seguimento, tenho tido acesso a muitos desabafos de preocupação com a migração da nossa mão-de-obra qualificada, legitimos também.

Nem tudo são rosas, e quem almeja conquistar uma destas vagas deve estar ciente de que surgirão obstáculos e que o processo de integração tem as suas vicissitudes. Porém, tratando-se de uma migração laboral o cenário é largamente favorável, pois as questões documental e habitacional podem desde cedo serem incluídas no pacote.

Eis a palavra-chave, CONDIÇÕES. Não tenho dúvidas que surgirão falsos recrutadores, para angariar colaboradores para vagas fantasmas, cuja finalidade é outra. E aqui há que chamar os bóis pelos nomes: prostituição, tráfico humano, de drogas, órgaõs, entre outros. Daí que todo este processo exija rigor e bastante zelo. Não se deixem cegar pela pretensão de sair do país.

Outro mito que importa desconstruir é o da precariedade e escravatura moderna: “Portugal tem muitos desempregados, mas vêm contratar pretos para explorar.” A área da Hotelaria e do Turismo é certificada, hoje em dia nenhum profissional consegue colocação no ramo sem ostentar um diploma e não pode ser de uma instituição qualquer, pois a procura excede em larga medida a oferta. Mais, a partir de 2023 passará, inclusivamente, a ser exigida a carteira profissional, a par da formação. Porque carga de água em Portugal seria diferente? Há desempregados sim, da aŕea em questão, que não foram recolocados, ou contratados no pós pico covid, emigraram.

Falando em Emigração, sair do país com visto de trabalho, na maioria dos casos que tenho tido conhecimento, contrato duração de 1 ano com alojamento é uma vantagem a todos os níveis. Mas não se deixem enganar, nem deslumbrar com o discurso inflamado, desinformado e irresponsável de conterrâneos residentes em outras paragens que vos asseguram que podem exercer actividade profissional pela União Europeia a fora, quando o vosso vínculo laboral e visto de residência temporária é português. Mesmo que a médio prazo conquistem a residência permanente (5 anos), a situação mantém-se.

Não menos importante, é de extrema relevância mencionar o risco de crise demográfica. Segundo os censos 2021, a população está mais envelhecida e a saída de jovens, sobretudo mulheres em idade activa e fértil, pode agravar este fenómeno.

Em suma, o ideal no país das maravilhas é que o nosso Cabo Verde de Esperança fosse vivido nas ilhas. Todavia, e como reza a nossa história, a solução continua a passar por procurar oportunidades e melhoria das condições de vida além fronteiras. Lembrar que o nosso Desemprego é estrutural e, enquanto formos uma economia vulnerável e extremamente dependente do exterior, as soluções passarão sempre pelo mesmo.

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