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A Caixa de Pandora que foi a Independência

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Eduardo Monteiro

A independência nacional foi a caixa de pandora que veio libertar todos os demónios que eu chamaria de ‘bestas do apocalipse’, que, a partir de 13 de janeiro de 1991, viriam a dar azo à sua sede insaciável de destruição de S. Vicente.

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Os três mandatos do ex-Primeiro ministro José Maria Neves transformou a cidade da Praia – segundo o próprio Rui Semedo, actual presidente do PAICV – numa Nova York. Entretanto, os Executivos de Ulisses Correia e Silva têm vindo a encetar uma descentralização, mas com foco nos demais oito municipios de Santiago que, a curto-médio prazo, irão se rivalizar com a Nova York cabo-verdiana, como expressou o edil de S. Miguel, Herménio Fernandes, em duas entrevistas ao semanário Expresso das Ilhas. Este disse que o seu municipio será uma alternativa à Praia.

Quero crer que esse desiderato será alcançado em menos tempo do que se prevê pelos maciços investimentos que ininterruptamente os municípios do inteiror de Santiago vão recebendo em todas as áreas do desenvolvimento económico, social, cultural e no conhecimento científico e tecnológico. Se tivermos em conta as intervenções dos deputados no Parlamento das duas Regiões Administrativas da Ilha e, também os de Santo Antão – quando afirmam que estão na “moda” -, facilmente chega-se a esta conclusão.

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Como já referi no parágrafo acima, os successivos governos incumbentes (JMN/UCS) materializaram e materializam todas as políticas preconizadas pelos grupos ultra radicais como Voz di Santiago, de José Filomeno Rodrigues, e a Pró-Praia, de José Jorge Costa de Pina – que substituiu o antigo presidente e fundador António Ludgero Correia. Este que, através de centenas de artigos de ódio espalhados em todos os órgão de comunicação social (Rádio/TV Imprensa Escrita/ Digital) e redes sociais fazem das tripas coração para impedir o desenvolvimento de S. Vicente, com sugestões para obstacularizar/condicionar os projectos de investimentos a realizar ou os que estão a decorrer, como é o caso do Terminal de Cruzeiros. Basta lembrar que num artigo da Pró-Praia publicado no jornal impresso a Nação nº 515, de 13 a 19 de Julho 2017, o José Jorge diz o seguinte, e passo a citar: ” (…) O terminal de cruzeiros nunca deve ser financiado com fundos públicos, nem é prioridade para nenhum dos portos!”. Mas, o que esses detractores e inimigos de S. Vicente esquecem que a nossa Ilha é o segundo com o maior PIB do País.

Para o Executivo, os municipios do interior não ficam em Santiago, como se estivessem numa outra Ilha. Não se compreende a lógica centralizadora deste Governo ao inaugurar na passada segunda-feira, dia 17 de março, o novo Centro de Saúde da Terceira Região Militar, quando desde 2013 está a funcionar um hospital militar localizada no Quartel Eugénio Lima, cidade da Praia, prestando uma vasta gama de serviços tais como: cuidados médicos e de enfermagem; realização de exames complementares; oferta de sessões psicoterapia e fisioterapia; consultorias médicas , salas de internamento, salas de cuidados de enfermagem; realização de consultas de Especialidade, Cardiologia, Pediatria, Dermatologia e Oftalmologia.

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Duvido se o Hospital Baptista Sousa esteja ao nivel deste hospital, sem contar com os outros dois (Santa Catarina e HAN). Não satisfeitos com a grande rede de infraestruturas de saúde, está na forja o Super Hospital da Praia, que vai custar aos cabo-verdianos a “módica” quantia de 70 milhões de euros, uma das grandes reivindicações do grupo Pró-Praia.

Há dois anos, a cozinha do Centro Instrução do Morro Branco, construido em 1949, estava a cair aos pedaços. O que me faz lembrar outro episódio na Cadeia de Riberinha com os detentes a usarem bolsas de plástico para as suas necessidades fisiológicas. Sem a opressão sobre S. Vicente, Cabo Verde seria uma Democracia Organizada em Estado Direito Democrático.

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Kimze Brito

Jornalista com 30 anos de carreira profissional, fez a sua formação básica na Agência Cabopress (antecessora da Inforpress) e começou efectivamente a trabalhar em Jornalismo no quinzenário Notícias. Foi assessor de imprensa da ex-CTT e da Enapor, integrou a redação do semanário A Semana e concluiu o Curso Superior de Jornalismo na UniCV. Sócio fundador do Mindel Insite, desempenha o cargo de director deste jornal digital desde o seu lançamento. Membro da Associação dos Fotógrafos Cabo-verdianos, leciona cursos de iniciação à fotografia digital e foi professor na UniCV em Laboratório de Fotografia e Fotojornalismo.

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