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Madeleine Albright, primeira mulher a ser SE dos EUA, morre aos 84 anos

Madeleine Albright, a primeira mulher a ocupar o cargo de secretária de Estado dos EUA e responsável pela politica externa ocidental após a guerra fria, morreu de câncer esta quarta-feira, aos 84 anos. Sua influência chegou a ser tão grande que foi comparada com a ex-primeira-ministra britânica Margaret Thatcher na década de 1980.

“Estamos com o coração partido em anunciar que a Dra. Madeleine K. Albright, a 64ª secretária de Estado dos EUA e a primeira mulher a ocupar esse cargo, faleceu hoje cedo. A causa foi o câncer”, disse a família no Twitter. 

A morte foi confirmada em um e-mail para a equipe do Albright Stonebridge Group, uma empresa de estratégia global fundada por Albright. A ex-secretária foi uma figura central no governo do ex-Presidente Bill Clinton. Ela defendeu a expansão da Otan, pressionou para que a aliança interviesse nos Bálcãs para impedir o genocídio e a limpeza étnica, procurou reduzir a disseminação de armas nucleares e defendeu os direitos humanos e a democracia em todo o mundo.

Legado

Albright foi o principal rosto da política externa norte-americana entre o fim da Guerra Fria e a guerra ao terror desencadeada pelos ataques de 11 de setembro de 2001, uma era anunciada por George W. Bush como uma “nova ordem mundial”.

Ela se descrevia como “idealista pragmática”, e cunhou o termo “multilateralismo assertivo” para descrever a política externa do governo de Bill Clinton. A ex-secretária tratou os EUA como “nação indispensável” para usar a diplomacia apoiada pelo uso da força para defender os valores democráticos em todo o mundo.

“Nós nos erguemos e vemos o futuro mais longe do que outros países, e vemos o perigo aqui para todos nós”, disse Albright à rede americana NBC em 1998. “Sei que os homens e mulheres americanos de uniforme estão sempre preparados para se sacrificar por liberdade, democracia e o modo de vida americano”, completou.

Talvez o seu feito mais notável tenha sido os esforços para acabar com a violência nos Bálcãs, assim como seu papel crucial para pressionar Clinton a intervir no Kosovo em 1999 para evitar um genocídio contra muçulmanos étnicos pelo ex-líder sérvio Slobodan Milosevic. Albright carregava o peso do fracasso da gestão anterior do governo Clinton em acabar com o genocídio na Bósnia.

Sobre isso, a então SE disse em 1999: “Assumo total responsabilidade junto com meus colegas por acreditar ser essencial para nós não ficarmos parados e assistir ao que Milosevic estava planejando fazer”, acrescentando que “não podemos assistir a crimes contra a humanidade”. 

A coaligação da Nato liderada pelos EUA parou a agressão sérvia e Kosovo declarou a independência em 2008.

C/CNNBrasil

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