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Empresária Isabel dos Santos diz desconhecer mandado de captura internacional

A empresária Isabel dos Santos pode estar a incorrer a um mandado de captura internacional por suspeita de ter prejudicado o Estado de Angola em mais de 200 milhoes de euros com a prática de crimes de peculato, fraude qualificada, participação ilegal em negócio e branqueamento de capitais. Delitos que podem dar lugar a uma pena máxima de 12 anos de cadeia. No entanto, fonte oficial da filha do ex-Presidente José Eduardo dos Santos disse à agência Lusa que os seus advogados consultaram a base de dados da Interpol e não encontraram qualquer referência a um mandado de captura para extradição em nome dela, a pedido da Procuradoria-Geral de Angola.

Face as notícias que circulam, defensores de Isabel dos Santos remeteram um comunicado onde dizem desconhecer qualquer instrução da polícia internacional. Lembra o documento que, após quase três anos de existência dos processos contra a empresária, ela nunca foi constituída arguida. “Também, ao longo destes quase três anos, (Isabel dos Santos) disponibilizou-se formalmente a prestar declarações sempre que foi convocada, o que aconteceu, por exemplo, em processo que correu termos no Banco de Portugal, onde, em duas ocasiões, prestou todos os esclarecimentos solicitados. Também prestou declarações em processo, por si interposto em Portugal, na qualidade de assistente”, esclarece o comunicado da fonte oficial.

A visada estranha ainda o facto de as autoridades invocarem que desconhecem o seu paradeiro, já que o documento justificando o mandado da Interpol indica apenas que “a empresária costuma estar em Portugal, Reino Unido ou Emirados Árabes Unidos”. Porém, fonte próxima de Isabel dos Santos afirma que em rigor as autoridades têm conhecimento da sua morada que consta, aliás, nas procurações que foram juntas aos processos. Argumenta que a empresária foi notificada para essa mesma morada “no âmbito de processos-crime que correm termos em Portugal”.

Segundo o documento a que a Lusa teve acesso na quinta-feira, entre 2015 e 2017, a empresária angolana criou mecanismos “com intenção de obter ganhos financeiros ilícitos e branquear operações criminosas suspeitas”, através de “informação sobre dinheiros públicos do Estado angolano”, que conseguiu na qualidade de administradora da petrolífera estatal Sonangol.

A fonte oficial de Isabel dos Santos recorda, contudo, que “não foi proferida qualquer acusação”, pelo que a empresária não teve oportunidade de “exercer o contraditório” sobre os factos de que é suspeita, salientando que “os processos continuam em segredo de justiça, o que dificulta ainda mais o exercício dos direitos de defesa”.

C/ SIC e Lusa

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