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Zilton Monteiro: “Descobri na criação de porcos a minha paixão e ganha-pão”

Zilton Monteiro, 39 anos, começou a criar suínos por influência de um amigo com 16/17 anos. Na altura, abandonara os estudos e passava o tempo a jogar futebol e a divertir, quanto foi convidado a acompanhar o amigo ao chiqueiro para alimentar os porcos, debaixo do Monte Gude em Fonte Filipe, São Vicente. Foi, ficou fascinado e resolveu investir uma ajuda disponibilizada por um tio-emigrante para dar um rumo à sua vida na criação de porcos. E deu certo.

Após 23 anos de trabalho com pequenas interrupções para tentar a sorte em outras actividades, Zilton descobriu a sua paixão. “O meu amigo acabou por emigrar para Holanda, mas decidi continuar. Investi um dinheiro que um tio me envio na compra de porcos de criação e construi chiqueiros próprios porque antes estava em um espaço emprestado”, conta este empreendedor, que se mostra orgulhoso da sua actividade e das valências que vai descobrindo.

Experimentou de tudo: cozinheiro, vendedor de verduras e de peixe seco e, mais recentemente, trabalhou durante cerca de um ano no “Condomínio de Habitação Social de Portelinha”. Mas sempre volta para a criação de suínos. “Tentei a sorte em outras áreas, mas as coisas nunca corriam como imaginava. Percebi então que a minha vocação é criar porcos. Agora estou a diversificar. Para além de criar e matar suínos, também faço chouriço de sangue e linguiça.”

Os abates, explica, são feitos sempre no Matadouro Municipal. Por conta da demanda, neste momento também compra porcos para abater e vender. “As vezes as pessoas me cedem o animal e, no final, pago o valor. Neste momento tenho muita demanda, mas estou focado na área da cidade do Mindelo. Os meus produtos, felizmente, estão a ter muita saída. O meu diferencial, penso, é a qualidade do produto que apresento aos meus clientes”, declara.

Autodidata, curioso e empreendedor

Conta que aprendeu a fazer chouriço de sangue e linguiça observando outras pessoas fazer. “Sou uma pessoa naturalmente curiosa. Gosto de perguntar e depois repito em casa, entre erros e acertos. Sou perfeccionista, então tento até atingir a qualidade que almejo. E agora acabei de dar mais um passo à frente porque adquiri um terreno na zona de Tchon d´Holanda e acabo de criar a minha empresa, que começará a contar para as Finanças a partir de 01 de julho, a Zilton Suinicultura Lda”, gaba este empreendedor e autodidata.

A sua empresa está no Regime Especial das Micro e Pequenas Empresas (Rempe) e o sonho de Zilton é conseguir um financiamento junto da ProEmpresa para investir no espaço para aumentar a qualidade. “Por enquanto trabalho sozinho. As vezes fico até as tantas da noite a fazer linguiça e chouriço de sangue. Faço tudo a moda antiga, ou seja, a lenha para o produto ganhar um sabor especial a fumo”, detalha.

Pelo meio, diz, chegou a abrir uma pequena mercearia junto com outra pessoa. Não deu certo e hoje segue sozinho, cada vez mais focado nos seus porcos. Quanto à sua clientela, é ele quem corre atrás, procura e conquista. “Comecei a fazer chouriço de sangue de brincadeira. Deu certo e resolvi vender na vizinhança. Uma pessoa gostou e me encaminhou para o seu padrão que, na altura, buscava um fornecedor. Apresentei-lhe o meu produto e tornou-se um cliente fixo”.

Os demais vieram por acréscimo. O local é muito frequenta por emigrantes que, ao saborearem o petisco. procuram saber ondem comprar e levar no regresso aos países de acolhimento como “encomenda terra”. Nesta altura, é-lhes facultado os contactos. Hoje recebe pedidos de emigrantes e de outros clientes que vai conquistando. “Acredito que o meu diferencial são os produtos frescos: porcos abatidos no dia e temperos frescos. Por exemplo, fechei um acordo informal com uma vendedeira do Calhou que me fornece produtos frescos para os chouriços que faço todos os dias.”

Muita demanda, pouca capacidade de resposta

Zilton Monteiro acredita que o seu negócio poderá crescer com mais investimento. Semanalmente abate dois a três porcos no Matadouro, mas a demanda supera a oferta. “Com mais recursos poderia vender mais carne e processar mais chouriços de sangue e linguiça. Mas falta-me algumas condições logísticas, por exemplo, uma arca maior para conservar os produtos e um espaço adequado. Clientes não é problema porque sou muito organizado. Falta-me sim investimento para materializar todas as minhas ideias”, acrescenta.

Enquanto aguarda a concretização de um empréstimo junto da ProEmpresa, este empresário vai produzindo os seus derivados numa cozinha improvisada no terraço da sua residência. O espaço, diz, está a sofrer alguma melhoria após um pequeno incêndio enquanto fumava os derivados, realçando que a sua produção semanal de chouriço já é de 50 kg. E o trabalho é ininterrupto, de manhã até altas horas da noite, incluindo nos finais de semana em que aproveita as sobras para cozinhar engrossar a sua cachupa d´lenha, cuja clientela também já é fixa e crescente e fiel.

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