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Empresário com suspeita de manipulação de concurso público pede esclarecimento do Ministério do Turismo

O empresário Eduardo Lenine tem fortes suspeitas que um concurso público para marcação da rede de percursos pedestres da ilha de Santiago foi manipulado para beneficiar uma empresa concorente. O gestor da agência SA Randoneé baseia a sua crença tanto no relatório dos júris como nos entraves que sentiu para poder consultar o processo e interpor um recurso após os resultados finais. E, mesmo depois de ter feita a contestação, diz, nunca houve qualquer resposta do Ministério do Turismo, comportamento que ele acha estranho.

A seu ver, houve um claro esforço do jurado para beneficiar a vencedora do concurso. Justifica que foi dada nota máxima a essa concorrente num item e noutros retiram-lhe décimas na pontuação para que pudesse ficar à frente. 

“Somos uma empresa cabo-verdiana, apresentamos uma proposta financeira de 13 mil contos – quando o tecto eram 15 milhões de escudos – a nossa equipa técnica era integrada por um arqueólogo-historiador, um topografo com 36 anos de experiencia, 1 engenheiro gráfico, 1 biólogo, 1 guia de montanha formado em ciências sociais e com experiencia nesse tipo de trabalho noutras ilhas e que recebeu um diploma de mérito. Além disso propusemos formar guias em Santiago”, descreve Eduardo Lenine. Este confessa que ficou espantado ao verificar que, apesar da qualidade da proposta que fez, a sua empresa ficou logo chumbada na primeira fase.

Inconformado com a situação, diz, enviou um email ao ministro Carlos Santos a pedir o envio da ficha técnica ou o relatório sobre a empresa vencedora, mas tal foi negado. “Quisemos interpor recurso e informaram-nos que os documentos estariam disponíveis para consulta na cidade da Praia das 10 horas às 10.30 desse dia. Respondi que esse tempo era demasiado curto e sabem que a base da minha empresa é a ilha de Santo Antão. Eu tinha um representante em Santiago, mas o tempo que ele dispunha era muito pouco. Quer dizer, um júri composto por 4 pessoas tem 15 dias para analisar as propostas das empresas e nós temos apenas meia hora para analisar o processo e interpor recurso”, critica Lenine. 

Entretanto, prossegue, acabou por ter mais tempo e fazer o protesto. Só que, continua, o Ministério do Turismo remeteu-se ao silêncio absoluto sobre o assunto.

Ciente de que faltou transparência no processo, Eduardo Lenine resolveu denunciar o caso através da comunicação social e assegura que vai dar conhecimento do mesmo a deputados da nação. O empresário exige uma explicação do ministro do Turismo sobre esse concurso, pois, para ele, esse governante está a brincar com o dinheiro público.

Lançado em Setembro, o concurso visa o levantamento cartográfico, digital, fotográfico e de sinalização física de uma rota principal pedestre em Santiago, numa extensão norte/sul de 300 quilómetros. E ainda de rotas complementares com ramificações a todos os municípios, integrando a identificação do património histórico, etnográfico e natural, as comunidades existentes e a oferta de serviços, bem como a sua divulgação através de um conjunto de comunidades virtuais especializadas sobre caminhadas (trekking), btt e trail runnin.

O Mindelinsite tentou abordar o ministro do Turismo em S. Vicente, o que não foi possível, contactou o assessor de imprensa desse membro do Governo, enviou as suas questões no Sábado e não recebeu a resposta até a publicação desta notícia.

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