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Covid-19 obriga ao cancelamento de viagens para os EUA: Utentes exigem devolução do valor das passagens

Dois passageiros que pretendiam viajar para os Estados Unidos na altura em que explodiu a pandemia da Covid-19 no mundo e, por isso, acabaram por ficar retidos em Cabo Verde, exigem a devolução do seu dinheiro. Alegam que compraram as passagens por cerca de 200 contos para mais uma estadia nos EUA, a quarta consecutiva, mas viram o seu desejo gorado, pelo que exigem o reembolso do valor investido. Lamentam principalmente não ter a quem recorrer para pedir ajuda, a não ser esperar por uma resposta das companhias aéreas, que tarda a chegar.

Conceição Freire conta que há dois anos procurou a agência Nasc para comprar duas passagens aéreas, uma para ela e uma para o marido, para os Estados Unidos. “Infelizmente, a Covid-19 veio e não conseguimos seguir viagem. Desde então estamos a tentar reaver o dinheiro investido, sem sucesso. A agência de viagens onde compramos as passagens limitou-se a enviar um email para a companhia aérea SATA a solicitar a devolução do valor, mas ainda está a aguardar a resposta”, desabafa esta utente, que lembra que, como ela e o marido, há muitos mais.

A preocupação deste casal é ainda maior, diz Conceição Freire, porque na altura iriam viajar para a cidade da Praia na Binter Cabo Verde, que tinha um acordo com a SATA, para partilha de passageiros. “Neste momento, a Binter CV já não existe. A companhia Binter Canárias opera apenas nas ligações internacionais. Alguém terá de nos dar uma resposta porque neste momento estamos de mão atadas. Queremos saber a quem dirigir para reclamar e quem vai devolver o nosso dinheiro. Queremos respostas concretas, não ficar eternamente à espera”, desabafa.

Volvidos cerca de dois anos, e já sem nenhuma paciência, este casal pede a intervenção de outras autoridades para defenderem os interesses dos cabo-verdianos que estão a ser claramente prejudicados, lembrando que, no seu caso, investiram cerca de 200 contos e neste momento não sabem a quem recorrer. “Sei que mais passageiros compraram passagens aéreas na mesma agência que nós e também em outras. E ninguém nos consegue ajudar a reaver o dinheiro entregue. No meu caso, resolvi denunciar, mas sei de colegas que fizeram desabafos nas redes sociais.”

Problema ultrapassa agências de viagens

Para a responsável da Nasc, Maria da Luz, esta é uma situação que ultrapassa as agências de viagens e turismo, que não conseguem dar a resposta que estes utentes esperam, enquanto não tiverem uma resposta das companhias aéreas. “Não é a agência que faz os reembolsos dos bilhetes de passagens. Esta é uma responsabilidade das companhias aéreas. E, pelas informações que tenho, o casal em apreço também contactou directamente a companhia e forneceu o número dos bilhetes de passagens. Neste caso, a agência nada pode fazer, a não ser esperar”, diz.

Maria da Luz explica que enviou um email para as duas companhias envolvidas – Binter CV e SATA -, expondo a situação, sendo que o email foi enviado com conhecimento dos passageiros lesados. “Há dias soube que a TAP também tem neste momento milhões de reembolsos por fazer. Da TACV nem se fala. As companhias aéreas estão todas no ´buraco`. Na nossa agência temos quatro passageiros na mesma situação, mas não sei em relação as demais. Todos nós, passageiros e agências de viagens e turismo, estamos a ser prejudicadas”, declara.

No caso da TAP, esclarece, esta companhia decidiu não fazer reembolsos, mas está a oferecer vouchers às pessoas que compraram bilhetes de passagens, que podem ser transferidos para outros passageiros. “Conseguimos chegar a acordo com alguns passageiros que tínhamos emitidos as suas passagens. Tivemos também o caso de um casal que procurou a Adeco e tratou do seu assunto. Felizmente, conseguiu viajar e inclusive já regressou para Cabo Verde. Mas estamos a falar de passageiros para Lisboa. O problema é sobretudo com os para os Estados Unidos.”

É que, neste caso particular, de acordo com Maria da Luz, os EUA mantem a restrição à entrada de passageiros provenientes que transitam por Europa. No caso, o casal deveria viajar de São Vicente para Praia, seguindo depois para Ponta Delgada e só depois para Boston. “A SATA estipulou um prazo até janeiro do próximo ano para validar o bilhete de passagem. Pode ser que, antes disso, os EUA levante as restrições e possam viajar. Sei que esta família está com vontade de viajar, mas nós nada podemos fazer”.

Confrontado por Mindelinsite sobre um eventual envolvimento da Agência da Aeronáutica Civil, enquanto entidade reguladora do sector da aviação civil e também defensor dos passageiros, Maria da Luz nega qualquer contacto. Diz que optaram por resolver esta questão com as companhias, tendo em conta que foi através delas que foram emitidos os bilhetes. “Nós, as agências de viagens, somos apenas intermediários neste processo”, acrescenta Maria da Luz, aproveitando para pedir mais paciência porque, afirma, são “montanhas” de pessoas em situação similar.

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