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Seven Stars defende imagem de Rosângela Ferreira e acusa ONAD de montar “esquadrão de perseguição” a atletas do clube

 A direção do Seven Stars mostrou-se ontem decidida a fazer tudo para defender a imagem do clube e principalmente a honorabilidade da atleta internacional Rosângela Ferreira que, segundo consta, ficou de fora da seleção de andebol feminino para a CAN-22 por estar “inelegível”. O caso suscitou aceso debate nas redes sociais e, na leitura do clube, a principal culpada desta situação é a ONAD, que, nas palavras de Gil Évora, não tem cumprido a missão para que foi criada.

Numa exposição enviada à presidente do Comité Olímpico – com conhecimento ao ministro do Desporto e ao próprio responsável da Organização Nacional Antidopagem -, o Seven Stars acusa a ONAD de montar um “esquadrão de perseguição” a atletas do clube e promover autênticas “sessões de terror” contra as suas jogadoras, “na vã tentativa de mostrar serviço e marcar o seu lugar na ribalta do desporto cabo-verdiano”. Pelo meio, refere Gil Évora, atletas da equipa de andebol receberam ameaças de suspensão por 4 anos da parte de técnicos da referida organização antidopagem.

O caso foi alvo de uma conferência de imprensa e, conforme o Seven Stars, tudo começou no dia 4 de julho durante um treino da equipa feminina de andebol do clube azul e branco. Afirma Gil Évora que, estando a equipa no pavilhão Vavá Duarte, um indivíduo não credenciado interrompeu o treino dizendo pertencer à ONAD e que pretendia fazer o controlo antidoping a 3 jogadoras. Nisso, prossegue, apontou o dedo às atletas Nádia Moreno, Karina Santos e Indira Soares.

“Na ausência do treinador, foi chamada a capitã Rosângela Ferreira para se inteirar da situação, ao que ela, perante a solicitação do indivíduo não credenciado, resolveu fazer uma chamada para os dirigentes do clube para saber como actuar”, conta Évora, adiantando que Rosângela recebeu indicações para dizer ao suposto técnico da ONAD que os testes podem ser feitos, mas primeiro terá de apresentar as credenciais que o habilitam para realizar tal operação.

Esta mensagem foi transmitida numa altura, segundo Évora, em que tinham chegado mais dois alegados funcionários da ONAD. Estes, adianta, retorquiram que não tinham credencial nenhuma e nem cartao de funcionário da ONAD.

Os factos demonstram, segundo o Seven Stars, que a ONAD nunca solicitou teste à jogadora Rosângela Ferreira, mas sim a outras 3 atletas. Rosângela, diz o clube, actuou apenas como capitã e elo entre as jogadoras e a direção quando o treinador estava ausente.

Porém, no dia 13 de julho deste ano, a ONAD mandou entregar na casa das 4 referidas jogadoras uma notificação para irem responder na sua sede. As mesmas, conforme Évora, compareceram e explicaram que não fizeram o teste porque os elementos que estiveram no treino não estavam devidamente credenciadas.

Segundo o dirigente, após a publicação da lista das 50 jogadoras pré-convocadas para a seleção, e perante a polémica gerada nas redes sociais devido a ausência de Rosangela Ferreira, o Seven contactou a Federação Cabo-verdiana de Andebol, mas de forma informal, para não passar a ideia de que queria intrometer-se nos trabalhos do treinador. Do contacto, diz Évora, ficaram a saber que os critérios da escolha das jogadoras eram da equipa técnica e que Rosângela Ferreira efectuou um treino em S. Vicente, mas informou ao técnico principal que estaria possivelmente nos Estados Unidos em novembro.

Entretanto, o Seven Stars afirma que, com o debate ainda aceso nas redes sociais sobre a ausência da atleta do combinado nacional, ouviu o treinador Fernando Fernandes dizer nas antenas da RCV que Rosângela Ferreira não foi convocada porque foi informado pela FCA que ela era inelegível. Da posse dessa informação, que, segundo Évora, não coincidia com o dito pela FCA – e visto que o clube nem a jogadora foram notificados de qualquer sanção -, no dia 27 solicitou novos esclarecimentos à federação. Na sequência, o Seven foi informado que a FCA, perante os rumores, decidiu perguntar a ONAD se havia alguma jogadora suspensa. “De forma confidencial, a ONAD enviou uma lista de jogadores cujos processos estavam a decorrer pelo facto de não terem feito o referido teste antidoping. Que a FCA, perante a possibilidade de tais jogadoras poderem ser suspensas decidiu não arriscar e por isso classificou-as como não-elegíveis”, revela o vice-presidente do Seven.

A grande questão, conforme o clube, é saber porquê Rosângela Ferreira foi metida nesse “labirinto de confusões” se não estava na lista das atletas invocadas pela ONAD para teste anti-dopagem. “Se havia inelegibilidade das atletas que se negaram a fazer teste, porquê Nádia Moreno – que foi notificada pela ONAD – estava na lista das pré-convocadas?”, questiona Gil Évora, que pergunta ainda do motivo do “clima de perseguição” que a ONAD vem constantemente colocando aos atletas, sobretudo as do Seven Stars.

Este dirigente lembra que a ONAD foi criada com o firme propósito dos atletas participarem nas competições sem recurso à dopagem, ou seja, em pé de igualdade. Para Évora, em vez do organismo se preocupar primeiro em sensibilizar os desportistas, federações, associações e clubes prefere montar um “esquadrão de perseguição” de atletas para poder mostrar serviço.

Inconformado com essa suposta situação, o Seven Stars assegura que vai defender a sua imagem pública e em particular o nome da atleta Rosângela Ferreira. O clube, diz, vai denunciar as atitudes da ONAD ao COC, IDJ, Ministério do Desporto e coloca a possibilidade de recorrer à Agencia Mundial Antidopagem para evitar que sejam os atletas a pagar pelo “péssimo trabalho da ONAD”.

O Mindelinsite ainda não teve conhecimento de qualquer reação da ONAD sobre o conteúdo da exposição, e que consta também de uma conferência de imprensa. A seleção feminina, recorde-se, já se encontra no Senegal para participar no Campeonato Africano das Nações.

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