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Interdição do estádio Adérito Sena pela CAF vai implicar adaptação ao plano da equipa técnica para CAN, segundo Bubista

O treinador Pedro “Bubista” Brito disse ao Mindelinsite que a interdição pela CAF do estádio Adérito Sena aos jogos internacionais, na sequência de uma inspeção, vai implicar mudanças no plano de preparação dos “Tubarões Azuis” traçado pela equipa técnica para a fase de apuramento para a CAN-2023. Bubista, que deveria viajar hoje para a cidade da Praia para debater esse assunto com a Federação Cabo-verdiana de Futebol, confessa que ficou um bocado frustrado com a notícia e sente que pode ter perdido mais um argumento para convencer determinados jogadores a integrar o plantel.

“Poder jogar em casa, com enchente nas bancadas, motiva os jogadores. Mas há jogadores com dupla nacionalidade que podem resolver optar por representar o outro país”, diz o técnico principal da seleção, acentuando que o processo de classificação das infraestruturas desportivas está fora do seu alcance. Pelo que o seu foco será continuar a preparar a seleção para ter o melhor desempenho, jogando dentro ou fora de casa.

Segundo Bubista, os jogadores vão entrar de féria e tem de saber da disponibilidade dos mesmos para integrar a campanha para a CAN. Espera poder conseguir a equipa mais competitiva possível e atingir o objectivo que é o apuramento para a copa africana de futebol.

Conforme o calendário, Cabo Verde defronta Burkina Faso no dia 3 de junho em estádio a ser disponibilizado por Marrocos – visto que o campo de Burkina Faso está também interditado –, para depois jogar contra o Togo. Esta partida estava programada para acontecer no estádio Adérito Sena no dia 7 de junho, mas tudo indica que será agora no Senegal ou Marrocos.

Entrevistado pela RCV, Mário Semedo, presidente da FCF, confessou que essa decisão da CAF configura um enorme percalço para C. Verde porque as equipas gostam de jogar em casa. Porém, diz, essa situação ultrapassa a federação, visto que a FCF é apenas usuária das infraestruturas. Segundo Semedo, a FCF está a pensar agendar o jogo fora de casa em Marrocos ou Senegal. Adianta, no entanto, que há neste momento muitos pedidos para o Senegal visto que vários países estão com os estádios interditados.

A RCV adianta que Fernando Firmino, gestor de licenciamento de clubes e estádios, alertou que muitos dos problemas que justificaram a interdição do “Adérito Sena” já tinham sido identificados em inspeções anteriores e que, entretanto, não foram corrigidos. “Há uma exigência de ter os balneários em standard mundial. Nós estamos a competir com seleções africanas de topo mundial a nível das infraestruturas desportivas. Se Burquina vai jogar fora, se Cabo Verde não tiver infraestruturas muito superiores aos seus concorrentes, isso automaticamente pesa do ponto de vista de quem irá decidir”, explicou.

Firmino fez ainda referência a aspetos técnicos ligados às condições de segurança dos adeptos, à iluminação que impede o estádio de receber jogos à noite, entre outras questões levantadas pela mais recente inspeção, efetuada em finais de abril. Para ele, este percalço representa “uma oportunidade” para Cabo Verde repensar a gestão das infraestruturas desportivas. Os investimentos “terão de ser céleres”, diz o gestor em conversa com a RCV.

Neste momento, Cabo Verde não dispõe de nenhum campo de futebol autorizado para receber provas internacionais, visto que o Estádio Nacional foi também interditado em 2021.

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