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Peça “Aurora Negra” abre o palco do festival de teatro Mindelact amanhã no CCM

A 21. edição do festival Mindelact sobe o pano amanhã à noite no Centro Cultural do Mindelo para a estreia da peça “Aurora Negra,” uma dramaturgia contada na primeira pessoa do plural por três mulheres com raízes fincadas tanto nas suas origens africanas como na vivência portuguesa. Como enfatizam as protagonistas Cleo Diára, Isabel Zuaa e Nádia Yracema, confluem nesse trabalho as suas memórias e pensamentos, a celebração da vida dos seus entes passados, o poder da mulher ser aquilo que quer e provocar, por isso, um incómodo social…

Enquanto criadoras, diz a cabo-verdiana Cleo Diára, tentam abordar o presente, as questões do agora, mas também como o passado influencia o presente. “Baseamo-nos nas nossas histórias e vontades, o que queríamos ver no palco como actrizes, o que gostaríamos de falar…”, ilustra a actiz nascida na ilha de Santiago e que há vários anos não tinha regressado a Cabo Verde. Por isso, para ela, estar na cidade do Mindelo, e no festival Mindelact, é algo que a deixa emocionada e feliz.

O show começa às 21 horas e 30 minutos, tem uma hora e meia de duração e é classificado para maiores dos 12 anos. A presença do grupo no festival, segundo João Branco, é fruto de dois anos de persistência da direção do evento. O primeiro contacto aconteceu quando o presidente do Mindelact soube do prémio de criação artística que o ainda projecto ganhou do Teatro Dona Maria II, para estar na edição de 2020. Veio a pandemia, parou tudo, e agora o espectáculo chega a S. Vicente com a honra de abrir o festival internacional de teatro.

Segundo Branco, o grupo, que incorpora uma vasta equipa, chega a Cabo Verde graças ao esforço da produção em Portugal. Tal como as outras companhias, oferecem o show ao Mindelact já amanhã, na abertura oficial desse encontro internacional de artes, que decorre sob o lema Esperança.

De regresso ao activo, depois de uma paragem forçada pela pandemia da Covid-19, o Mindelact tem programado 67 espectáculos, o que, para João Branco, é um número absurdo. Deste total, 54 são presenciais – sendo 46 em S. Vicente e 8 em Santiago -, 13 de teatro radiofónico e 4 de teatro digital, com transmissão em directo na internet.

“Damos início a esta maratona do teatro com três ‘As’ das Artes, Alma e Afecto em 2017. Agora acrescentamos o ‘S’ de saudade de Samira Pereira, uma colaboradora do festival que morreu tragicamente este ano devido a Covid-19 e que é homenageada este ano”, diz J. Branco, lembrando que Samira era a pessoa que fazia a ponte entre as produções artísticas com a comunicação social.

O evento, que conta com o apoio de vários parceiros, entre os quais a Impar e o BCN, decorre sob o signo da Esperança, de 5 a 15 de novembro, com um total de 67 espectáculos presenciais e online. A expectativa da organização é que o público cabo-verdiano como sempre foi, participativo e comunicativo com o palco.

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