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Grande Feira do Livro supera expectativas em São Vicente com quase 10 mil livros vendidos

A Grande Feira do Livro encerrou a sua passagem por São Vicente com resultados que superam as duas edições anteriores e reforçam os sinais de um possível regresso do interesse pela leitura no arquipélago. Mais de 70% dos livros disponibilizados, cerca de 10 mil, foram vendidos, num universo próximo dos 15 mil exemplares levados para Mindelo.

O balanço foi feito pela presidente da Biblioteca Nacional e reforçado pelo ministro da Cultura, Indústrias Criativas, Juventude e Desporto António Duarte, que considerou particularmente significativo o impacto desta sétima itinerância da feira em São Vicente, realizada num ano marcado pela celebração dos 90 anos da revista Claridade.

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Segundo o governante, o número de visitantes e o volume de vendas demonstram que a iniciativa está a conseguir aproximar os livros do público e a recuperar o espaço da leitura no quotidiano das famílias. “Não podemos deixar de nos sentir plenamente satisfeitos com os resultados que a Grande Feira do Livro está a trazer para São Vicente”, afirmou António Duarte, destacando as vendas “assinaláveis” e a procura registada ao longo da feira. Entre os sinais mais positivos, o ministro apontou a presença expressiva de crianças. Segundo afirmou o ministro da Cultura, houve menores que visitaram a feira e, posteriormente, regressaram acompanhados pelos próprios progenitores para comprar os livros que tinham despertado o seu interesse.

Para António Duarte, este comportamento representa mais do que um resultado comercial. É um indicador de que a feira pode estar a contribuir para reacender o gosto pela leitura entre as novas gerações, num contexto em que os hábitos de leitura têm vindo a perder espaço. “É um grande sinal de alento”, sublinhou, realçando que esta adesão poderá representar uma retoma do gosto pela leitura, num contexto em que os hábitos de leitura são cada vez menos frequentes”.

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O ministro explicou esta feira têm também uma dimensão estratégica e que parte das receitas arrecadadas será canalizada para o Plano Nacional de Leitura, nomeadamente para apoiar o Grande Concurso de Leitura, lançado há três semanas.

Quase 10 mil livros vendidos

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A presidente da Biblioteca Nacional, Matilde Santos, confirmou a dimensão dos resultados alcançados em Mindelo. Dos quase 15 mil livros trazidos para São Vicente, cerca de 10 mil foram vendidos logo nos primeiros dias, correspondendo a mais de 70% do stock disponibilizado. A procura foi particularmente forte na literatura infantil e juvenil, mas também se destacou em áreas como Direito, literatura cabo-verdiana, literatura traduzida, Economia, Ciências Sociais e autoajuda. “Centenas de títulos esgotaram”, explicou Matilde Santos, acrescentando que alguns desapareceram das prateleiras logo nos primeiros dias da iniciativa.

Segundo Matilde Santos, os clássicos da literatura cabo-verdiana estiveram entre as obras com maior procura, enquanto os livros técnicos de Direito também registaram vendas expressivas. Para a presidente da Biblioteca Nacional, estes números desmontam a ideia de que os cabo-verdianos, sobretudo os jovens, deixaram de ler. “Os cabo-verdianos, os jovens, desde tenra idade, continuam a ler”, afirmou, defendendo a necessidade de aprofundar os estudos sobre os hábitos de leitura para permitir uma comparação sistemática dos resultados de ano para ano. Até lá, disse, esta edição em S. Vicente superou as edições de 2024 e 2025, constituindo um dos resultados mais expressivos alcançados pela Grande Feira do Livro no âmbito da sua itinerância pelo país.

Mas o impacto da feira não termina com o encerramento das vendas. Os exemplares que permanecerem em stock não serão simplesmente guardados para a próxima edição. De acordo com Matilde Santos, o remanescente será distribuído por diferentes ilhas, com prioridade para o reforço dos acervos de bibliotecas públicas e privadas, escolas e espaços comunitários de leitura.

 

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Constanca Pina

Formada em jornalismo pela Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ). Trabalhou como jornalista no semanário A Semana de 1997 a 2016. Sócia-fundadora do Mindel Insite, desempenha as funções de Chefe de Redação e jornalista/repórter. Paralelamente, leccionou na Universidade Lusófona de Cabo Verde de 2013 a 2020, disciplinas de Jornalismo Económico, Jornalismo Investigativo e Redação Jornalística. Atualmente lecciona a disciplina de Jornalismo Comparado na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV).

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