Cultura

Carnaval São Nicolau: Baianas e grupos oficiais levam Terreiro ao rubro

O centro da Ribeira Brava encheu-se, mais uma vez, para receber os grupos oficiais Copa Cabana e Estrela Azul, com um desfile sem atrasos e que abrilhantou a vila com elevada folia e samba no pé. Antes disso, a abertura da festa esteve por conta do grupo das Baianas, que vieram do Tarrafal para engrandecer ainda mais esta grande manifestação cultural popular de São Nicolau.

As ruas estreitas da Ribeira Brava começaram a receber pessoas de todas as partes da ilha, já no início da tarde para receber as Baianas. Um grupo inicialmente constituído por pessoasmais maduras, mas que hoje já tem na sua constituição gente de todas as idades, inclusive crianças, que juntos brincam o carnaval de forma enérgica, com alas bem personalizadas e andores temáticos da cultura da ilha. Numa das alas, mulheres vestidas tradicionalmente a rigor apresentavam bindes de cuscuz de milho, enquanto, ao lado, simulava-se a produção do mel da cana-de-açúcar.

As Baianas chegaram na Ribeira Brava por volta das 5h da tarde e, logo depois, os grupos oficiais já davam início aos desfiles, surpreendendo, pela positiva, uma vez que os desfiles geralmente são marcados por grandes atrasos. As 7h da noite, todos os grupos já estavam concentrados no centro da cidade, celebrando, junto do seu povo, a festa do Rei Momo. Copa Cabana e Estrela Azul chegaram praticamente ao mesmo tempo no Terreiro, onde se concentram de forma organizada com os andores e carros de som, em meio ao povo, que, em São Nicolau não se distingue dos grupos.

O Estrela Azul este ano trouxe como tema a figura feminina, uma homenagem e chamada de atenção para a violência contra a mulher, na sequência de vários casos que assolaram o país nos últimos tempos, inclusive com vítimas da ilha de São Nicolau. Alíbio Brito, presidente do grupo, faz um balanço positivo do desfile, tendo em conta as dificuldades encontradas para colocar o espectáculo nas ruas este ano. “Conseguimos dar a volta por cima e apresentar um bom trabalho e estamos satisfeitos. Agora vamos iniciar uma nova etapa, relacionada com a parte financeira do grupo e definir o que acontece daqui para a frente”, explica. Estrela Azul apresentou dois andores, um carro de som e pouco mais de 100 figurantes.

Já o Copa Cabana trouxe no seu enredo o Apocalipse, tema universal segundo o presidente Emanuel Cabral e que pede uma reflexão sobre a vida e a vivência em sociedade nos tempos actuais. Emanuel Cabral mostra-se satisfeito com a qualidade do desfile e diz chegar ao fim com o sentimento de dever comprido, tendo em conta as apreciações ouvidas das pessoas. “Apresentamos um bom projecto, tanto a nível de andores como de personalização de figurantes e alas.” Copa Cabana levou as ruas da Ribeira Brava dois andores e um carro de som, acompanhados de cerca de 150 figurantes, distribuídos por cinco alas. Número muito inferior ao ano passado, mas que se explica, segundo Emanuel Cabral, por motivos externos como a saída dos jovens da ilha e o desemprego.

O único senão do Carnaval deste ano, segundo os mais críticos, está nos atrasos e ainda nalguma falta de organização nos grupos. Entretanto, para o presidente do Estrela Azul, Alíbio Brito, os grupos têm a a consciência destas lacunas e estão a trabalhar para melhorar estes e outros aspectos.

Natalina Andrade (Estagiária)

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