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Cultura

Artista Xande Silva morre após jogo amigável de basquetebol

O artista plástico e desportista Alexandre Silva faleceu ontem à tardinha após um jogo amigável de basquetebol no campo do liceu Ludjero Lima, em S. Vicente. Conforme apurou este jornal, Alex estava a participar numa partida já tradicional com um grupo de amigos, foi substituído e de repente começou a entrar em convulsão. Foi socorrido de imediato por um colega médico que estava no recinto e encaminhado com a máxima urgência para o hospital numa viatura. Um amigo confidenciou ao Mindelinsite que nem esperaram pela ambulância. Apesar de todos os esforços, foi impossível impedir a tragédia.

A notícia caiu com estrondo e deixou vários amigos em estado de choque. Isto porque Alex era tido como uma pessoa robusta, que emanava vivacidade e simpatia onde chegava. “Ainda ontem à tardinha ele estava no hotel Ponte d’Agua todo animado. Custa mesmo acreditar que toda essa energia desvaneceu assim de repente”, comenta Francisco Almeida.

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O mesmo sentimento teve Dai Varela, amigo de longa data do reconhecido pintor nascido em Angola, mas de coração mindelense.  “Quando soube vim certificar, mas sempre com a esperança de que se tratava de um boato.  Mas, assim que cheguei e vi que era verdade, fui invadido por uma grande tristeza, de saber que um grande amigo e um jovem tão evoluído artisticamente deixou a nossa convivência e a nossa sociedade”, comenta o escritor Dai Varela, que tem uma memória humana e profissional do malogrado. Ele que chegou a entrevistar Xande para conhecer a sua obra, visão artística e projectos da sua galeria.“Ele sempre foi uma pessoa activa, um artista que produzia com um um olhar crítico com o objectivo de provocar uma mudança do pensamento social”, sublinha Varela, que fez questão de ir conhecer e fotografar um grande monumento que o artista assinou na Holanda, um país de grandes criativos.

Xande e amigos, terceiro em cima a contar da esquerda

Foi difícil para Bob Lima conter as lágrimas enquanto falava do grande amigo Xande. “Perdi uma pessoa muito importante na minha vida. Éramos grandes amigos e colegas de natação”, frisa Bob. Segundo este fotógrafo e jovem empreendedor, houve uma época em que os dois iam nadar frequentemente, mas foi obrigado a parar, enquanto Xande continuou a ir religiosamente para o mar. “Há dias perguntei-lhe se ele continuava a nadar e ele respondeu-me com aquele sorriso: ‘Claro, se não fosse não valia a pena estar em Cabo Verde’”, conta Bob Lima, que enaltece o facto de Xande ter sido um dos fundadores da associação Skibosurf Club e um artista de pincel de ouro, que faleceu em plena fase de produção e criatividade.

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“Vivo um dia de cada vez”

Filho de pais cabo-verdianos, Xande nasceu em Lunda, Angola, mas considerava-se um cidadão do Mindelo. Como ele próprio relata, chegou a Cabo Verde após a Independência ainda bebê. “Cresci na zona de Alto Miramar e a minha infância marcou-me tanto que determinou a minha vocação para as artes plásticas”, diz numa publicação da página Turismo Sustentável no Facebook.

Segundo o próprio, as memórias da sua infância fizeram parte do seu processo criativo, um ponto de partida para as suas obras. “Tínhamos pouco, mas uma imaginação interessante”, salienta o jovem, que gostava de desenhar, mas, como ele próprio diz, a carreira artística não era uma opção em Cabo Verde e muito menos na sua casa. “O sentido de sucesso era uma carreira de médico, engenheiro ou arquiteto, por exemplo.”

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Obra do artista na capa de um desdobrável – Facebook Zero Point Art

Em 1990 Xande sai de Cabo Verde. Para ele isso era uma necessidade. Sentiu que já recebera tudo o que o país tinha para lhe dar. Assim partiu e começou a estudar Biologia Marinha, depois arquitetura e em seguida Belas Artes. “Depois tive que optar entre ser artista plástico ou seguir a carreira académica, porque não se pode ser muita coisa ao mesmo tempo. Optei pela arte, a minha paixão. E dediquei-me ao meu atelier”, revela o artista, que entretanto reencontrou em Cabo Verde o espaço que foi procurar lá fora, isto é o ambiente e a energia típicos deste torrão.
De volta à raiz, montou a galeria “Zero Point Art” no centro da cidade do Mindelo para ser “um ponto de partida, um espírito missionário”. Uma razão para que, diz, pudesse tocar alguém de forma despretenciosa tal como lhe aconteceu na sua infância quando brincava na Rua da Praia d’Bote e aproveitava para entrar no atelier do famoso pintor Manuel Figueira.

Obra de Xande erigida na Holanda

“O ‘Zero Point’ é para ser uma lufada de ar na cidade, um espaço livre, neutro, de partilha de energia. Hoje sinto que não me falta nada. Consegui da vida tudo o que poderia ter. Não me refiro a dinheiro e nem a bens materiais, mas ao espiritual. Existo, sou parte da cidade, constantemente em movimento como o vento no Mindelo, sempre a adaptar-me para evoluir. O importante: vivo um dia de cada vez.”

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Kimze Brito

Jornalista com 30 anos de carreira profissional, fez a sua formação básica na Agência Cabopress (antecessora da Inforpress) e começou efectivamente a trabalhar em Jornalismo no quinzenário Notícias. Foi assessor de imprensa da ex-CTT e da Enapor, integrou a redação do semanário A Semana e concluiu o Curso Superior de Jornalismo na UniCV. Sócio fundador do Mindel Insite, desempenha o cargo de director deste jornal digital desde o seu lançamento. Membro da Associação dos Fotógrafos Cabo-verdianos, leciona cursos de iniciação à fotografia digital e foi professor na UniCV em Laboratório de Fotografia e Fotojornalismo.

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6 Comentários

  1. Excelente artigo do MI. Um dia muito triste para todos os que conheceram e tiveram o prazer de relacionar com o Xande. Pessoa que marcou a minha infância no Walt (Alto Mira Mar). Um GRANDE abraço de consolo para a Dona Heloísa, sua mãe – uma GRANDE AMIGA da minha família e vizinha de muito perto. Que DEUS console todos os nossos tristes corações neste momento de dor e tristeza.

  2. Grande perda, mas na verdade os artistas não morrem, pois a arte fica connosco para sempre. Será sempre relembrado esse ser humano positivista e humanista. Que a terra lhe seja leve e que tenha muita luz para ir ao encontro do pai Celestial. Descansa em paz grade XANDE.

  3. Perdemos um grande homem. Grande como artista e como ser humano. Uma pessoa que logo no primeiro contacto, transmitia uma energia boa, pessoa simples de bem com a vida, com alma leve e apaixonante.
    Um autêntico amante de Mindelo, que conhecia a essência dessa cidade e que lutava para que esta não se perca, mas que fosse cada vez mais enaltecida.
    Para os seus amigos e familiares peço que dêem continuidade, ao seu trabalho e a sua visão, pois ele viverá para sempre no coração de Mindelo.

  4. Excellent ?Article
    ❤️
    Nha primo tem cabod, um tita anda te ale noticia pam oia se um te otxa um noticia e te dze kes noticia e mintira enfim, realidade e duro..
    A Xande Bo tem ke coracao pertod….
    A nha mussin tont noit no ten pirdid ma companjer…. ot dia Bo tava dze mama o tia fernanda li ke tem um catxupinha guizot antes um bie pe atelier(Rotterdam)sempre mama tava dzeb klar nha fidje…
    Sempre Bo dzem vanduska NO VIVE DIA POR DIA,pq tud pode caba derepent..
    Assim Bo bie derepent e nos tud ta em schok!!

    Coragem pe es moment mas difícil de vida tia Heloisa tio Manilin Adriano Paulina enfim nox tud, pq Alex /Xande era amigo tud Gent.

    Obrigada Alex/Xande.. em Bo ter feit part nha vida, ate um dia se deus kizer nha mussim✨✨✨???

  5. No perdel fisicament, ma c obra e conheciment ta fca!! 1 prendê txeu ma el, não só como artista q ses palestras e workshops, mas como 1 grande amigo kel foi. Moda el tava dzem sempre “á nha amiga, nô ta vivê so 1 vez, ca mistid tem pressa”.
    Assim é nh’Amig. Bom descanso, ondê qbo tiver… 🙁

  6. Que tragédia!! A uma semana de vir para Angola, a terra que o viu nascer. Estou triste e envio as minhas sentidas condolencias à Dona Heloísa, demais família e todos os amigos.

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