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ALAIM celebrou 5º aniversário sem eventos públicos como uma ‘chamada de responsabilidade social’

A Academia Livre de Artes Integradas do Mindelo (ALAIM) celebrou ontem o seu 5º aniversário sem uma programação especifica como já vem sendo habito, por decisão da sua direcção, como uma chamada responsabilidade social perante o aumento de casos positivos de infecção pelo novo coronavírus em S. Vicente. Esta informação foi avançada ao Mindelinsite pela atriz e directora da Alaim, Janaina Alves Branco. 

Por conta da situação pandémica em S. Vicente, a direcção da Alaim adiou toda a programação prevista para ver se há a opção de comemorar o aniversario numa outra altura. Mas, se as coisas continuaram do jeito que estão, fica para o próximo ano. “Entendemos que não precisamos aglomerar agora. Não vimos a necessidade de promover eventos na situação em que São Vicente se encontra, não obstante termos e o espaço estar aprovado pelas autoridades sanitárias. Também sabemos que os eventos não estão proibidos, mas optamos por suspender a programação como uma chamada social.”  

Mas a data não passou totalmente em branco porque fizeram uma comemoração diferenciada, com transmissão online. “Tivemos de adaptar e fazer uma transmissão em directo nas nossas redes sociais que furou três horas. Para além de conversas, tivemos depoimentos de pessoas que já passaram pela Alaim. Pedimos videos aos nossos parceiros, amigos e formadores que divulgamos ontem e durante o dia de hoje”, diz Janaina Branco, que diz ter ficado surpreendida com a dimensão actual do projecto. 

Inspiração para outros projectos

Segundo a directora da Alaim, a ideia deste projecto foi lançada em 2014 para atender a alguma necessidade interna, mas nunca equacionaram a projecção internacional que hoje tem, inclusive servido de exemplo para outros projectos similares. “Neste momento tem um espaço em S. Paulo no Brasil, que se inspirou no nosso projecto. Segue a mesma filosofia e modelo, inclusive na forma de arrecadar de receitas. É mesmo surpreendente e gratificante perceber o que a Alaim se tornou. Isso nos dá mais gás para continuar a fazer coisas porque ultrapassou tudo o que tínhamos em mente”.

Agora o céu é o limite porque hoje a Alaim é um projecto necessário – isso ficou bem patente nos depoimentos de ontem – mas também é um modelo que começa a ser seguido, pelo que as ambições são cada vez maiores. “Queremos continuar a fazer mais e a crescer. Acho que ainda não temos tudo. Queremos chegar à outras comunidades e levar as crianças de outras zonas para a academia”, acrescenta Janina Branco, destacando o modelo de formação, que tem neste momento aulas de teatro, música e dança.

Para além destes, a Alaim recebe ensaios, gravações de videoclips, encontros, reuniões de associações, e funciona como incubadora de artistas. “Recebemos projectos que não têm um espaço próprio para funcionar. Continuamos a seguir a mesma filosofia que norteou o surgimento deste espaço em S. Vicente de acolher todos os que não tem um lugar para desenvolver. Mas, a nossa menina dos olhos neste momento é o Núcleo de Ballet Classico, que surgiu da necessidade de fazer uma aposta maior na área da dança  por forma a fazer com que esta chegue ao nível das outras artes.”

Relativamente ao Núcleo de Ballet Clássico de SV, Janaina Branco explica que este foi montado em parceira com a Escola de Dança de Funchal. Funciona desde setembro de 2020 e promove algumas actividades integradas, como por exemplo o incentivo para quebrar o conceito de que meninos não podem dançar ballet. Para isso, lançou uma bolsa para crianças do sexo masculino, durante um ano, para estimular os rapazes a dançar. E deu certo porque neste momento há 5 meninos inscritos. 

Instado se já há frutos da Alaim, apesar de apenas cinco anos de existência, Janaina cita com orgulho a professora do Núcleo de Ballet, Jennifer Dias que, diz, foi aluna da Escola de Dança Noelisa Santos, que era incubada na Alaim. Seguiu para Lisboa para estudar na Escola Superior de Dança e regressou para leccionar na academia. “Apesar de termos apenas 5 anos, já há uma geração inspirada aqui, que buscou depois formação. Com os depoimentos de ontem sentimos que há muitos jovens que passaram por nossa academia e que estão agora a estudar arte. Significa que a Educação Artística transformou-se numa opção na grade curricular destes jovens. Isso é motivo de orgulho”, finaliza. 

Foto: Página Facebook Janaína Branco

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