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“Xazé” Novais declina convite do PAICV para encabeçar lista em S. Vicente

O ex-deputado nacional eleito nas listas do PAICV em São Vicente, Alexandre “Xazé” Novais afirmou, em entrevista ao Mindelinsite, que declinou o convite feito pela Comissão Politica Regional do partido tambarina, para encabeçar a lista partidária às autárquicas de 2020 na ilha do Porto Grande. Xazé alega que não se sente confortável, nesta altura, em entrar em nenhuma lista partidária. “Desde sempre deixei claro que gostaria de ter o apoio do PAICV em uma candidatura independente. Ser independente em uma lista de um partido é diferente de ter apoio do partido. São Vicente, a meu ver, neste momento precisa desta liberdade para agir”, justifica. 

Com este esclarecimento de Xazé visa, segundo o próprio, clarificar as informações que dão conta da existência de quatro possíveis candidatos do PAICV para liderar a lista do partido na ilha de São Vicente. Destes dois, Manuel Inocêncio e Nelson Lopes, terão optado por não concorrer. “Mas como o presidente do CPR-SV veio dizer que ainda não há uma decisão, entendi que as pessoas podem estar a pensar que há alguma disputa interna entre Xazé e Titota, o que não corresponde a verdade. Há vários meses, quando fui abordado pela CPR-SV para saber da minha disponibilidade, deixei claro que não estava disponível para entrar em nenhuma lista partidária, excepto se alguma partido aceitasse apoiar uma lista independente.

Esta sua proposta foi recusada pela CPR do PAICV que, diz o entrevistado Mindelinsite, entendeu trilhar o seu próprio caminho. Xazé garante que entende a posição do partido mas, porque tem responsabilidades públicas para com os mindelenses e o seu próprio caminho, também decidiu auto-excluir-se. “Não quero que ninguém penso que estive em alguma disputa com o Titota para ser candidato do PAICV à CMSV porque não é verdade. Nunca pretendi ser candidato do PAICV. Sempre disse que gostaria de ter o apoio do partido em uma candidatura independente. Porque ser independente numa lista de um partido é diferente de ter apoio de um partido. S. Vicente para mim, neste momento, precisa desta liberdade para poder agir”, ressalva. 

Independente com apoio partidário 

Em uma extensa publicação na sua pagina no facebook, Xazé mostrou-se orgulhoso do convite feito pela CPR-SV “pelo simples facto de saber que os meus camaradas e amigos do partido em São Vicente, pelos quais nutro um imenso apreço pelo compromisso e pela resiliência, vêm na minha pessoa alguém com os requisitos necessários para liderar uma equipe camarária em São Vicente”. Este arquiteto/engenheiro diz que a ilha de Monte Cara é a sua maior prioridade assim como a Descentralização/Regionalização Política de Cabo Verde o seu maior combate político, sendo estes dois certamente os únicos desafios públicos pelos quais estará ainda disposto a consagrar o seu tempo e energia em prol do interesse colectivo e do bem comum. Por isso mesmo, agradeceu efusivamente a confiança dos seus pares. 

Todavia, prossegue,  desde o início deixou muito claro que a ser, hoje, candidato às eleições autárquicas em São Vicente seria numa Lista Independente, podendo esta ter ou não o apoio dos partidos políticos, seja do PAICV como de qualquer outra formação política na ilha. “Lista Independente e não como Independente numa Lista Partidária, coisas essas bem diferentes. Da minha parte e querendo ser candidato pelo PAICV não seria nunca enquanto independente, mas sim como o militante engajado que fui em tempos já um pouco distantes. Algumas razões maiores pesaram fundamentalmente nesta imposição de sentido a que me obriguei, umas internas, outras externas e algumas mais globais’, detalha, deixando claro alguma fricção com a atual liderança nacional do partido, a qual, afirma, não se revê.

“Não me revejo na praxis desde sempre e cada dia me revejo menos igualmente nas orientações politicas, distanciamento esse que se agudizou com os últimos posicionamentos do PAICV em duas matérias de especial relevo para São Vicente, para o país e para mim pessoalmente que foram a caminhada do partido com especial enfoque para o Grupo Parlamentar aquando do processo legislativo da Regionalização para a qual a má vontade desta Direcção foi gritante assim como no seu dúbio posicionamento relativamente ao Estatuto Especial para a Cidade da Praia… sou resolutamente a favor da primeira e objectivamente contra o segundo, a muitas léguas portanto do posicionamento politico da actual liderança do partido”, escreveu.

Xazé argumenta dizendo que sempre assumiu como ordem de prioridade 1º Cabo Verde, 2º São Vicente e 3º PAICV. No entanto, verdade histórica mais ou menos recente e a realidade vivida e sentida pelas populações nesta ilha mudaram estas prioridades, impondo São Vicente e toda a Região Norte antes mesmo de Cabo Verde. E isso por uma razão muito simples: a urgência desta ilha, a necessidade das suas gentes de encontrarem o seu lugar ao sol neste torrão para o qual tanto contribuíram e contribuem e do qual, é sentimento generalizado na população, muito pouco recebem, seja em atenção, seja em priorização, seja em dotação. 

Os partidos do arco do poder, todos eles todos eles, já demonstraram às populações nas Ilhas, que não estão dispostos a mexer no status quo, que não têm a coragem de beliscar os privilegiados do sistema e de um modo geral que não servem o país insular, arquipelágico que é Cabo Verde. Que as lutas são acima de tudo umbilicais, para servir as máquinas partidárias na sua luta pelo alcance e manutenção no Poder, muito longe do serviço de interesse geral para o qual são eleitos, razão da própria existência dos partidos políticos”, lê-se na mesma publicação. 

Titota, uma boa escolha

Quanto a opção do PAICV por Graça, afirma que é indiscutivelmente uma boa escolha. Aliás, lembra, deu às caras por Titota nas últimas presidenciais, pelo que lhe deseja toda a força e necessária humildade que serão fundamentais neste combate que não será fácil. Realça ainda, em jeito de remate, que “Titota” possui, pelo percurso de vida enquanto cidadão activo, técnico, empresário e académico, os pergaminhos que garantem a São Vicente uma candidatura forte e à qual toda a comunidade espera ver se juntarem outras igualmente fortes porque “todos somos poucos para a tarefa que representa o desenvolvimento futuro desta Ilha”.

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