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Santos Luís assume candidatura a líder da UCID e nega ser “pau-mandado” de A. Monteiro, se for eleito

Santos Luís assumiu ontem a candidatura à presidência da UCID e rebateu a ideia de que será pau-mandado do líder-cessante António Monteiro, de quem foi braço-direito durante mais de 12 anos. O vice-presidente dos democratas-cristãos salienta que tem ideias próprias e não descarta a possibilidade de preconizar rupturas com decisões anteriores. Quanto ao caso Edson Ribeiro, confirma que ele não tem cartão de militante do partido.

O dirigente João Santos Luís fez ontem o anúncio formal da sua candidatura à liderança da UCID, tendo apontado como grandes prioridades, caso for eleito presidente do partido no 18. Congresso, aumentar os representantes nas Câmaras Municipais, conquistar a autarquia de S. Vicente e colocar essa força política no “arco do poder”. Em relação a este último desígnio, explica, não implica vencer as Legislativas, mas, por exemplo, eleger dez deputados e passar a fazer parte do círculo da governação. Porém, deixou claro, uma coisa são os planos, outra é ver toda a simpatia em torno do partido transformado em votos nas urnas.

Santos Luís confirma a sua corrida à liderança dos democratas-cristãos dias depois de António Monteiro afirmar que não será candidato à sua própria sucessão no Congresso agendado para os dias 25, 26 e 27 de março na cidade do Mindelo. Segundo Santos Luís, só agora assume o desafio por estar convencido de que possui todas as condições para estruturar e unir o partido em todas as ilhas e na emigração e posicionar a UCID como mais uma opção para o desenvolvimento do país.

Vice-presidente dos democratas-cristãos desde 2003, Santos Luís é visto por alguns críticos, dentre os quais Lídio Silva, como um possível pau-mandado de António Monteiro no comando do partido. Confrontado pela imprensa sobre esse aspecto, negou taxativamente vestir essa roupa. Assegurou que cada um é livre de explanar as suas opiniões, e até de fazer futurologia, mas fez questão de realçar que ele e Monteiro são duas pessoas diferentes, apesar de ter sido braço-direito do líder-cessante durante mais de 12 anos.

“Tenho as minhas ideias próprias e espero implementá-las com a minha equipa, caso formos eleitos”, responde Santos Luís, que admite a hipótese de vir preconizar rupturas com decisões anteriores tomadas pela direção do partido e que não terão caído no agrado dos militantes. Evitou, no entanto, exemplificar as situações que terão gerado mal-estar nas bases do partido, sendo certo que uma delas foi claramente o apoio que a UCID deu à candidatura de Carlos Veiga a Presidente da República. Ao ser confrontado com este ponto, João Luís assegurou aos jornalistas que irá abordar o assunto publicamente quando for eleito.

Ainda Santos Luís está a fazer contactos com eventuais interessados em integrar a lista para os órgãos da direção do partido (Comissão Política, Conselho Nacional e Conselho Jurisdicional) e conquistar os votos da maioria dos 200 delegados ao Congresso. Para já, espera contar com o apoio dos 90 delegados de S. Vicente, ilha onde reside e está a sede dos democratas-cristãos. O candidato adianta, entretanto, que mais de metade dos elementos da direção-cessante já se disponibilizaram para integrar o seu projecto político.

A dois meses do Congresso, a grande questão é saber se Santos Luís vai ter o professor Edson Ribeiro como adversário à liderança da UCID. Isto porque Ribeiro anunciou a sua candidatura a partir da cidade da Praia, mas António Monteiro assegurou que ele não pode almejar esse sonho por não ser ainda militante do partido. Sobre este celeuma, Santos Luís relembra que o cartão de militante da UCID só é válido com a assinatura do presidente do partido. Indo mais além, confirma que Ribeiro não consta da lista dos quase 4.000 militantes da força política.

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