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PM inaugura Centro de Diálise com 19 pontos de tratamento em S.Vicente

O Primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, presidiu na manhã de hoje no Mindelo a inauguração do Centro de Diálise do Hospital Baptista de Sousa em S. Vicente, uma infra-estrutra considerado um marco no Serviço Nacional de Saúde que vai permitir descongestionar a unidade de diálise da Praia e os pacientes permanecerem mais próximos dos seus familiares. Orçado em cerca de 100 mil contos, esta infra-estruturas, que vai servir toda a região de Barlavento, tem 19 pontos de tratamento em simultâneo.

Com um discurso politico, Ulisses Correia e Silva fez questão de frisar que o Governo está a cumprir com na Saúde com a construção deste Centro de Diálise que é uma mais-valia indiscutível para a vida das pessoas que necessidade de diálise. “S. Vicente ganha uma infra-estrutura de Saúde de alto padrão. É ainda motivo de satisfação para os profissionais da saúde da ilha”, afirmou o PM. Deixou uma palavra de apreço à Cooperação Portuguesa que tem sido exemplar no sector da Saúde, em particular ao seu homólogo António Costa que muito tem ajudado Cabo Verde e destacou o bom combate à Covid19 empreendido pelos profissionais de saúde e os investimentos feito pelos recursos humanos, financeiros e materiais. 

A título de exemplo, apontou os investimentos em curso no Centro Ambulatorial e na Comunidade Terapêutica de Ribeira de Vinha, o compromisso para a construção do bloco de Maternidade e Pediatria financiado pela Cooperação chinesa, lembrando que os investimentos na saúde têm retorno garantido para a qualidade de vida das pessoas e produtividade da economia. Podem ainda ajudar a posicionar Cabo Verde com bom nível de segurança sanitária, importante para a retoma do turismo com confiança, operacionalizar o conceito de plataforma internacional da saúde, desenvolvimento do turismo de saúde. Entre outros projectos, lembrou ainda que a industria farmacêutica nacional tem potencial de desenvolvimento, nomeadamente para o mercado africano. 

Mais pragmático, o Ministro da Saúde, Arlindo do Rosário, referiu que as doenças crónicas não transmissíveis, particularmente a hipertensão arterial e a diabetes, estão em crescimento a nível mundial e também em Cabo Verde. E estas duas patologias são os principais responsáveis pela insuficiência renal crónica terminal que levam doentes à hemodiálise.“Em Cabo Verde tem 188 doentes, que precisam de hemodiálise para sobreviver. Destes 166 estão na Praia, oriundos de praticamente todas as ilhas, e 22 em S.Vicente. A construção deste segundo centro, para além de descongestionar o Centro de Diálise da Praia, possibilita aos pacientes ficarem mais perto dos familiares, com ganhos evidentes do ponto de vista social e psicológico.” 

Orçado em 100 mil contos, o Centro de Diálise do Mindelo está dotado de um orçamento e um quadro de pessoal próprio, constituído por médicos, enfermeiros, nutricionistas, psicólogos, pessoal administrativo e operacional. A infra-estrutura, segundo a tutela, respeita altos padrões da biosegurança e qualidade. Arlindo do Rosário enalteceu o programa de cooperação Portugal-Cabo Verde, que permitiu mesmo neste momento difícil para os hospitais daquele país, continuar a receber os doentes evacuados do arquipélago, e manter a assistência técnica e formativa.

Direito consagrado na Agenda 20/30 e nos ODS

Na qualidade de co-financiador desta obra, que foi executada pela Sina Construções, o presidente do Camões-Instituto da Cooperação da Língua mostrou satisfação por testemunhar esta inauguração, em representação da Cooperação Portuguesa e enviado do Governo de Portugal. Para João Ribeiro Almeida, a saúde é um direito fundamental, universalmente reconhecido e consagrado na Agenda 20/30 e nos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), pelo que o seu impacto nos indicadores no sector são sobremaneira relevantes. “A estratégia da Cooperação Portuguesa para a Saúde tem tido como objectivo geral o fortalecimento dos Sistemas de Saúde, em particular dos serviços públicos e das políticas públicas de saúde dos nossos parceiros, entre os quais Cabo Verde na primeira linha”, informou

Pontos de Tratamento

Neste sentido, lembrou que em 2008, os MS de Cabo Verde e Portugal assinaram um protocolo de cooperação no domínio dos cuidados nefrológicos. Portugal assumiu então o compromisso de apoiar técnica e financeiramente o financiamento de uma unidade de diálise no Hospital Agostinho Neto. “Portugal assegurou o financiamento desta unidade em cerca de um milhão de euros e, desde a sua inauguração em julho de 2014, este permitiu o tratamento de doentes de foro nefrológicos, evitando a sua evacuação com tudo o que tem de vulnerabilidade: estar longe dos familiares de do seu país, diminuir as evacuações salvo em caso excepcional e permitir o regresso dos doentes em tratamento em Portugal”, detalhou, acrescentando que, em 2018, surgiu a proposta de financiar a unidade em S. Vicente para acolher os doentes de Barlavento e Portugal apoiou com 480 mil euros. 

Enquanto anfitriã, a presidente do Concelho de Administração do Hospital Baptista de Sousa endereçou às boas-vindas aos presentes e realçou o facto do hospital, a semelhança de outras estruturas de saúde no país, viver em permanente necessidade de encontrar formas de satisfazer uma população cada vez mais exigente na prestação dos cuidados de saúde, mesmo com poucos meios. Ana Brito enumerou as obras da sua gestão nos últimos quatro anos, inclusive em contexto da pandemia da Covid-19, na procura de melhorias nos cuidados prestados, colocando a prova a capacidade e desafiando a resiliência de todos, em particular dos profissionais da saúde. 

É o caso do Centro de Diálise, e outras em curso, nomeadamente o Bloco Ambulatorial, a nova cozinha do HBS, lavandaria, unidade de endoscopic-is, ampliação do Banco de Urgência de Adultos, Central de Consultas, Unidade de Cuidados Especiais, Unidade Neo-Natal, Bloco de Partos, etc, para mostrar que os ganhos são muitos. Mas há ainda muito por fazer. 

De referir que testemunharam ainda este acto, o embaixador de Portugal em Cabo Verde, o Ministro da Economia Marítima, os presidentes da CMSV e da AMSV, deputados, reitores, representantes dos serviços do Estado na ilha, e um número significativo de profissionais que laboram no HBS. 

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