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Ministério do Mar quer ser “sócio-especial” da ENAF e ajudar escola de natação a conseguir estatuto de utilidade pública

O Ministério do Mar propôs esta manhã ao presidente da Escola de Natação Nhô Fula a assinatura de um protocolo de médio prazo, em que passa a ser um “sócio-especial” da ENAF e ajudar no seu funcionamento. Segundo Paulo Veiga, o seu ministério passaria a contribuir nos aspectos técnicos e financeiros, enquanto parceiro dessa escola, que já tem 22 anos de existência. “Podemos criar uma equipa de trabalho nesse sentido, pelo que indicamos o nosso assessor, o jurista Manuel Garcia, para nos representar”, especificou o governante, que efectuou a primeira visita oficial à sede da ENAF, sita no edifício do Clube Náutico do Mindelo. 

Esta proposta agradou Silas Leite, presidente da referida escola, que se prontificou a integrar a equipa de trabalho, visto que, como deixou claro momentos antes, a ENAF tem estado a viver com a corda ao pescoço. Leite especificou que a escola tem neste momento pouco mais de três contos na sua conta bancária, realidade que ilustra os problemas que tem enfrentado para cumprir os compromissos, nomeadamente com o pessoal administrativo. 

“Estamos vivos ainda porque trabalhamos com instrumentos de gestão. O nosso programa de mandato e projectos estão actualizados”, assegura Silas Leite, que enalteceu o trabalho abnegado desenvolvido pela ENAF nestes 22 anos, um esforço quase que solitário que, diz, justifica a atribuição pelo Estado de Cabo Verde do estatuto de Utilidade Pública e um certificado de acreditação. 

Nhô Fula, patrono da escola ENAF

Segundo Silas Leite, se a escola tem conseguido formar instrutores, ensinar técnicas de salvamento e de natação a um número considerável de criancas, adolescentes e jovens praticamente sem dinheiro, o que poderia fazer se passar a constar do Orçamento do Estado e tirar dos ombros a preocupação com a sustentabilidade financeira. Estes pedidos, para Leite, fazem toda a lógica, se for levada em conta que a escola tem trabalhado numa área muito cara para Cabo Verde, um país rodeado de mar. Especifica que o primeiro pilar da ENAF é o salvamento aquático, o segundo o acesso às funções marítimas e o terceiro a natação como desporto. E lembrou que ninguém consegue ter sucesso profissional no mundo marítimo sem aprender a nadar. 

O ministro Paulo Veiga mostrou-se disposto a fazer a sua parte para ajudar a ENAF a alcançar o objectivo de alcançar o estatuto de utilidade pública. Segundo Veiga, o seu ministério está aberto a ajudar a escola a trabalhar o dossier de candidatura e faze-lo chegar às mãos do Primeiro-ministro, a autoridade competente para o efeito. “E serviremos como testemunha para solicitar e comprovar o trabalho desenvolvido pela escola. Este processo não é muito difícil e nem demora muito tempo”, realça Paulo Veiga. O governante aproveitou o ensejo para voltar a lembrar que o Ministério do Mar quer promover uma aproximação respeitosa dos cabo-verdianos com o oceano, ainda mais nesta década do mar. Isto para as pessoas deixarem de ver o mar como um mero perigo ou o caminho que representa a separação das famílias, como muitas vezes é expressa nas melodias.

Quanto ao funcionamento da ENAF, Paulo Veiga informou que está em processo de instalação uma espécie de clube náutico na Matiota, junto à Cabnave, que terá espaço para escritórios e sala formativa e servirá de base aos desportos náuticos não-motorizados. Pelo que esse projecto vai também beneficiar associações como a escola Nhô Fula. 

Esta instituição, frisa Leite, tem neste momento 30 inscritos para aulas de natação e um projecto que vai propiciar o acesso à natação a um leque de 100-200 alunos das escolas do sistema educativo, particularmente estudantes provenientes de famílias pobres.

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