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Crioulo nas variantes de S. Vicente e Santiago no Facebook ainda este ano

A língua cabo-verdiana, nas variantes de S. Vicente e Santiago, vai estar no Facebook, no quadro de um programa de expansão de tradução automática que abarca todos os idiomas do mundo, informa o director executivo da Lang Consult (LC), empresa nacional de prestação de serviços linguisticos, sediado na Capital. Omaru Djaló explica que o processo encontra-se na segunda fase, pelo que deverá ficar activo ainda este ano. 

Em entrevista ao Mindelinsite, Omaru Djaló Abreu explica que a LC trabalha maioritariamente com clientes internacionais, inclusive está a colaborar na tradução de outras línguas africanas como o Kimbundu e Umbundu (Angola) e Dyoula (Costa do Marfim). Foi neste sentido que, diz, a empresa recebeu com naturalidade o convite para participar neste projecto denominado LATTE de um cliente, que trabalha para o Facebook. “Trabalhamos há mais de 8 anos com tradução inglês-crioulo, que é a língua que vai ser utilizada como matéria-prima para efeito de tradução automática. Nesta fase, os computadores já estão treinados para fazer esta tradução. Mas, quanto mais material tiver, melhor se consegue a tradução”, explica. 

Questionado sobre o prazo para a língua materna de Cabo Verde estar no Facebook,  o CEO da LC diz não poder precisar porque este é um projecto dessa rede social. “O que posso dizer é que o projecto está bastante avançado, na segunda fase. Acreditamos que ainda este ano o processo de tradução automática terá uma primeira versão, que iremos actualizar em função da reação que formos recebendo”, pontua. Esta fonte realça que, na primeira fase, basicamente a TV fez as traduções de conteúdos mais informais, designadamente de publicações no Facebook. Já nesta segunda fase, mais formal, está-se a trabalhar com materiais de notícias. 

Quanto às variantes do crioulo que vão ser utilizadas nas traduções este garante que estão a agregar as de Santiago e de S. Vicente, não obstante a primeira ter maior representatividade,.

“Queremos usar as duas variantes regionais do crioulo, o de Santiago e o de S. Vicente. Trabalhamos com colaboradores/tradutores individuais. Queremos projectar a nossa língua materna a nível internacional e esperamos que esta valorização coloque alguma pressão sobre as autoridades no sentido da oficialização do crioulo o quanto antes. Já passou do tempo disso acontecer”.

Segundo Omaru Djaló, a demora em se oficializar o crioulo em Cabo Verde é vista e vivida com muita frustração pelos profissionais da área da língua. “Penso que esta é uma questão meramente política. Mesmo assim, estranhamos porque vemos a diáspora, por exemplo nos Estados Unidos, a dar valor às línguas comunitárias, enquanto nós aqui mão. Esperamos que toda esta evolução venha a influenciar de alguma forma os chamados decisores para que se possa avançar com este processo rapidamente.”

O CEO da LC destaca ainda o facto do crioulo de Cabo Verde estar neste projecto maior do Facebook, cujo slogan é não deixar nenhuma língua para traz. Para o efeito, a empresa teve a preocupação de formar os seus colaboradores em escrita do Alupec e também trabalha com tradutores externos por forma a garantir a qualidade. “O Facebook está determinado a fazer com que as pessoas que usam a plataforma tenham acesso a conteúdos na sua língua. Por isso este processo envolve também os idiomas Kimbundu e Umbundu (Angola) e o Dyoula (Costa do Marfim). A LC será ainda responsável pelo controlo de qualidade para o Kikongo e Chokwe (Angola).

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