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António Monteiro faz ‘mea culpa’ na abertura do XVIII Congresso da UCID e apela à união para fortalecer o partido

O presidente da UCID afirmou ontem, na abertura do XVIII Congresso do partido que decorre até domingo na Academia Jotamont sob o lema “Crescer mais, servir melhor” e que vai eleger uma nova liderança, que não conseguiu cumprir o objectivo de ajudar na governação de Cabo Verde. Naquele que foi o seu último discurso como líder da UCID, o político António Monteiro apelou à mobilização dos militantes para fortalecer o partido e poder assim influenciar o país. Também ouviu do presidente da Comissão de Jurisdição, Geraldo Almeida, que nem sempre estiveram de acordo com as posições que tomou, porém que o crescimento que o partido teve nos últimos 17 anos foi com a sua liderança. 

Num longo discurso, virado essencialmente para dentro do partido, António Monteiro destacou a importância do Congresso, admitiu ter cometido erros durante a sua liderança, chamou a atenção para a situação da UCID, que do seu ponto de vista merece preocupação porque tem muitos desafios pela frente. “Enquanto presidente, como disse o Dr. Geraldo Almeida, posso ter cometido vários erros, posso ter tomado decisões conjuntas com os membros da Comissão Política que provavelmente não agradaram a todos, mas fizemo-los sempre pensando no partido e em Cabo Verde.”

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Para o político, se os militantes quiserem que o partido ganhe outra dimensão terão de trabalhar. “Todos temos algo a dar ao partido. A UCID é um partido aberto, é um partido voltado para a sociedade civil e é extremamente importante para o futuro de Cabo Verde”, declarou, realçando que este congresso poderá ser extremamente importante para aquilo que os fundadores, os militantes, simpatizantes, amigos e a população quiser fazer da UCID. “Se quisermos uma UCID forte, capaz de ajudar na governação e de influenciar o país não fiquemos pelas desavenças, não fiquemos pelas quezilas menores e pela indiferença que as vezes assistimos entre uns e outros. A UCID não tem dono”, atiçou.   

Mas só conseguirão resolver os problemas do partido se mobilizarem todos de forma aberta, sincera e com a verdade para servir Cabo Verde, diz. Neste contexto e com os limites da UCID, lançou um forte apelo aos delegados para colocarem de lado qualquer animosidade e ressentimento para juntarem para poderem fortalecer o partido, crescer e servir melhor o país. “Se fizermos isso, estaremos, sem sombra de dúvidas, a dar aos cabo-verdianos, às cabo-verdianas, às empresas, às instituições e às famílias o instrumento que precisam para melhoramos a vida do nosso País. E não podemos ficar reféns desta ou daquela quezília, temos de deitar para trás alguns rebuços e enfrentarmos aquilo que nos deve unir que é ter uma UCID forte e capaz de servir Cabo Verde”, afirmou. 

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Neste sentido, prossegue, têm de deixar para trás alguns rebuços e enfrentar de frente aquilo que deve unir o partido para crescer e singrar. “É prioritário e urgente que façamos o trabalho que deverá ser feito para atingirmos mais jovens e o eleitorado que já não acredita nos outros partido, para disponibilizarmos esta ferramenta em prol de Cabo Verde e dos cabo-verdianos”, apelou, realçando que tanto o PAICV como o MpD serviram o país com altos e baixos, e a UCID vem servindo também com altos e baixos. Mas falta ainda ao partido atingir o patamar do poder político para poder mostrar se são iguais ou diferentes dos dois partidos citados. 

Sobre este particular, deixou claro que o seu partido sempre deu o seu contributo a Cabo Verde com ideias e soluções que, infelizmente, a UCID não teve a capacidade de os concretizar na pratica. No entanto, estas ideias e soluções acabaram por ser agarradas e postas em pratica. “O que queremos é sermos nós a executarmos as notas ideias e soluções que temos para este país. E isto só será possível se unirmos, se abrirmos mais porque temos a particularidade de ser o único partido que permite  que elementos da Comissão Política e do Conselho Nacional não tenham cartão de militante”, revelou, aproveitando para lançar um apelo aos cidadãos cabo-verdianos se aproximarem do partido porque Cabo Verdeprecisa de todos de maneira geral. 

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Os trabalhos do XVIII congresso da UCID prosseguem este sábado e terminam ao final da tarde deste domingo, 27 de março. Terá como ponto alto a eleição do próximo presidente do partido, João Santos Luís, candidato único à sucessão de António Monteiro.

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Constanca Pina

Formada em jornalismo pela Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ). Trabalhou como jornalista no semanário A Semana de 1997 a 2016. Sócia-fundadora do Mindel Insite, desempenha as funções de Chefe de Redação e jornalista/repórter. Paralelamente, leccionou na Universidade Lusófona de Cabo Verde de 2013 a 2020, disciplinas de Jornalismo Económico, Jornalismo Investigativo e Redação Jornalística. Atualmente lecciona a disciplina de Jornalismo Comparado na Universidade de Cabo Verde (Uni-CV).

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