
O desfile dos professores do Mindelo no Carnaval 2027 vai fazer uma viagem à história dos descobrimentos marítimos portugueses no dia 8 de fevereiro à noite, nas ruas de morada. O enredo, que foi ontem apresentado no Centro Cultural do Mindelo, tem por tema “A expansão marítima portuguesa – A rota dos descobrimentos”, que será exposto em 12 alas, a saber:
“A corte que sonhou”, “Os navegadores”, “A vida a bordo”, “Os ventos do Atlântico, “Cabo das Tormentas”, “Cabo Verde nas rotas do Atlântico”, “O comércio das especiarias”, “Pirataria e Corso”, “Os cartógrafos no mundo”, “Encontro de culturas: Europa, Árica, Ásia, América, Cabo Verde e Brasil”, “Herança cultural – música e dança”, “Luz e sombra da expansão” e “Mundo redesenhado”.
Esta aposta, explica Filomena Pereira, visa abordar um pouco da história de Cabo Verde, levar para o público mais uma mensagem educativa, mas sempre ligada à preservação do ambiente, a bandeira do grupo dos professores. “Ainda mantemos o desfile para segunda-feira à noite. E acho que vai continuar assim porque recebemos o convite da Câmara de São Vicente e ganhamos muito com esse show à noite”, responde a presidente do agrupamento quando questionada sobre a data da saída.
Abordada sobre o “conflito” nos foliões que ficam em dúvida se devem sair no Samba Tropical ou no Grupo dos Professores, Filó diz que cada um é livre de fazer a sua escolha. Acha, no entanto, possível alguém sair nos dois desfiles, ou seja, iniciar nos “professores”, mudar de traje e ainda apanhar o “samba”.

Este será, no entanto, o ano de despedida de Filomena Pereira do cargo de presidente do Grupo dos Professores. Esta professora aproveitou ontem o palco para anunciar a sua decisão, que acabou por surpreender alguns presentes. Após fazer um discurso e descrever a trajetória do grupo ao longo dos seus 15 anos de existência, anunciou a sua saída da direção. Mas, faz questão de frisar, apenas e só da direção.
“Estou apenas saindo da direção, por motivos de saúde e porque já dei o meu tempo. Foram 15 anos de muitas lutas e alegrias. Precisamos de uma nova dinâmica”, explica a docente, que promete continuar a desfilar porque, como diz, quando o bichinho do Carnaval entra na corrente sanguínea é para sempre.
Esta medida surge, entretanto, num momento em que o grupo está a preparar a criação da sua associação ainda neste ano. Um passo que vai dar outra credibilidade ao grupo e permitir outro nível de organização. “Às vezes perdemos apoios só por falta de um NIF. Com a associação podemos ultrapassar esta e outras questões, passarmos a ser um grupo com reconhecimento legal”, reforça Filomena Pereira, que diz estar fora de questão assumir qualquer cargo na futura organização.

Coube à professora Marina Ramos explanar sobre a temática que o Grupo dos Professores vai explorar ao longo do desfile do dia 8 de fevereiro. Na verdade, a historiadora deu uma aula aos presentes. Foi escutada com atenção pelos colegas, que a aplaudiram efusivamente quando abandonou o palco.
Para Marina Ramos, o tema escolhido se enquadra na mensagem e na atitude que se espera de um professor: procurar conhecimento para o repassar a outrém. “Falar dos descobrimentos, da expansão de Portugal e reflectir sobre Cabo Verde é nada mais e nada menos que falar um pouco da missão daqueles que, durante muito tempo, se dedicaram à busca do conhecimento para porem à disposição de outrem. A missão do professor é buscar conhecimento para depois repassá-lo às crianças, jovens, pré-adultos e adultos”, diz a professora reformada.
Para Marina Ramos, o carnaval dos professores ultrapassa a folia. É também um acto de ensino público porque desperta atenção tanto da classe professoral como dos foliões e daqueles que visitam Mindelo na época do Carnaval com os temas e materiais usados. A ex-directora da Escola Técnica do Mindelo lembra que o Grupo dos Professores assumiu como bandeira nestes anos de existência a luta em prol do ambiente, com a reciclagem do lixo na confeção dos trajes. Sobre o tema do próximo ano, deixou claro que a era dos descobrimentos portugueses está associada à vontade e necessidade de Portugal de conhecer o além-mar.






