Faleceu esta manhã na cidade da Praia a jornalista Filomena Silva, nome marcante da comunicação social cabo-verdiana associado particularmente ao jornal A Semana, a principal referência da imprensa escrita nacional na década de noventa. Conhecida como mulher guerreira e frontal, Filó, como era conhecida, deu o seu último suspiro na sua residência no bairro da Fazenda, vítima de doença.
Ex-deputada pelo PAICV em 1991, Filomena Silva, 67 anos, acabou por ganhar notoriedade nacional e internacional pelo seu desempenho como directora de A Semana, jornal conhecido pela sua irreverência no tratamento de assuntos “incómodos”. Antes de assumir a gestão do semanário, e substituir o anterior director Jorge Soares, passou pelo jornal público Voz di Povo. O seu trabalho ganharia, entretanto, outra notoriedade na publicação privada criada após a abertura política, que, diga-se, “atirava” para todos os lados.
Esta postura chegou a valer-lhe alguns processos judiciais. Nos finais de noventa foi mesmo condenada por alegado abuso à liberdade de imprensa. Para pagar a indemnização, lançou uma subscrição que lhe permitiu angariar mais do que o montante determinado pela Justiça.
Os princípios que defendia no “seu” jornal eram os mesmos que debatia nos fóruns sobre o Jornalismo cabo-verdiano, com as suas intervenções “sem papa na língua”. Dona de uma postura rija, que cumpria de forma rigorosa a linha editorial do semanário, impunha sérios desafios aos jornalistas da redação A Semana. Por isso, quem passou pela sua “escola” ganhou um traquejo sólido.
Filomena Silva chegou a ser evacuada para tratamento em Portugal, tendo depois regressado a Cabo Verde, onde continuou a trabalhar, mas fora das redações dos jornais. Partiu hoje, mas deixou a sua marca na história do jornalismo cabo-verdiano.






