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Estudantes pedem anulação da prova nacional de Matemática e querem solução que não afecte as suas médias

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Estudantes do 12.º ano em S. Vicente querem ver a prova nacional da disciplina de Matemática anulada e que seja encontrada uma solução para serem devidamente avaliados no presente ano lectivo, sem verem as médias prejudicadas. Justificam que o teste a que foram submetidos anteontem, quarta-feira, apresentou um elevado nível de dificuldade e, para piorar o cenário, continha matéria que sequer foi lecionada.

Segundo o estudante Dilan Tavares, além do facto de terem introduzido no teste conteúdo desconhecido, os alunos depararam com 4 categorias de objectivos, quando tinham trabalhado apenas duas. Perante esse quadro, conta, houve colegas que tiveram surto de pânico e abandonaram a sala de aula. Ele próprio, apesar de ter uma média alta em Matemática, passou vinte minutos sem poder sequer iniciar a prova. “Houve colegas com médias muito boas que apresentaram as mesmas reclamações sobre o teste”, reforça este aluno da Escola Técnica do Mindelo.

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Dilan Tavares deixa claro que os estudantes consideram que deve haver uma prova nacional, por ser um método necessário de avaliação. Acha, no entanto, que falta tempo para poderem repetir o teste porque está próximo o período de apresentação de candidatura para as universidades estrangeiras. Deste modo, propõe que as percentagens das avaliações lectivas sejam recalculadas, mas sem prejudicarem o aluno. Ilustra com o seu caso pessoal: “Tenho tido uma média de 17 a 18 valores. Se forem calcular 70% desta média, vai descer para 11 ou 12 valores. Como posso esforçar-me durante 3 anos lectivos para depois ver a minha média despencar por causa de uma prova cujos objectivos não estavam a condizer com o que nos lecionaram?!”

Para o aluno Henrique Fortes, a prova deveria ser anulada, pelas razões expostas. Reforça que tem havido problemas recorrentes e que o aluno acaba sempre prejudicado. Desta vez, salienta, a classe estudantil está a reivindicar o seu direito às notas e espera que haja um entendimento entre as partes nesta matéria. Confere que os alunos demonstraram grandes dificuldades em fazer o teste e questiona o motivo de a prova ter sido anulada apenas na ilha do Sal, quando tem carácter nacional. “Como é que uma prova nacional vai ser anulada só a nível regional? Não tiveram professores para lecionar as matérias, mas nós também tivemos as nossas dificuldades porque a maioria do teste apresentava matérias que não lecionaram”, comenta o jovem da Escola Salesiana do Mindelo.

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No seu caso, diz, a prova não correu tão mal, mas mostra-se solidário com os colegas. A seu ver, é duro um aluno estudar duro durante 3 anos e depois ver o seu esforço ir pela ladeira por causa de uma prova. E sequer tem culpa no cartório. “A situação não advém da falta de empenho dos alunos, mas sim de pessoas que estavam desatentas e não fizeram o seu trabalho correctamente”, desabafa o estudante, que questiona como foi possível alguém elaborar a referida prova.

Esta manhã, representantes da classe estudantil colocaram as suas preocupações ao Delegado do Ministério da Educação, que consistiu, nas suas palavras, em três aspectos: o facto de a prova apresentar matéria que não foi lecionada, o elevado grau de complexidade dos exercícios e demonstraram disponibilidade em fazer outro teste, mas dentro do nível dos conteúdos lecionados e num prazo que não venha afectar a apresentação das candidaturas à universidade.

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Jorge da Luz adiantou à imprensa que irá reportar as preocupações à Direção Nacional, que, aliás, já está a par do acontecimento. “Penso que brevemente teremos um posicionamento da Direção Nacional sobre a questão da prova de Matemática”, prognosticou o Delegado, adiantando que a coordenadora nacional de Matemática foi informada do caso, que tem abrangência nacional. Diz esperar que a situação seja esclarecida devidamente pela Direçao Nacional para que todos possam entender o que se passou. Segundo Jorge da Luz, o encontro com os representantes dos alunos foi “muito tranquilo e de partilha” e pediu a todos que aguardem com tranquilidade o posicionamento da Direção Nacional do Ministério da Educação sobre o assunto.

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Kimze Brito

Jornalista com 30 anos de carreira profissional, fez a sua formação básica na Agência Cabopress (antecessora da Inforpress) e começou efectivamente a trabalhar em Jornalismo no quinzenário Notícias. Foi assessor de imprensa da ex-CTT e da Enapor, integrou a redação do semanário A Semana e concluiu o Curso Superior de Jornalismo na UniCV. Sócio fundador do Mindel Insite, desempenha o cargo de director deste jornal digital desde o seu lançamento. Membro da Associação dos Fotógrafos Cabo-verdianos, leciona cursos de iniciação à fotografia digital e foi professor na UniCV em Laboratório de Fotografia e Fotojornalismo.

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