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8 de Março, Primeiras-damas e Damas de Primeira

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Mulher cabo-verdiana, dama de primeira!

David Leite

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Neste dia 8 de março, envio uma saudação amiga às mulheres da minha terra, especialmente às que sofrem com as injustiças de uma sociedade ainda com resquícios de machismo e misoginia. Saúdo as mães sem amparo, as mulheres sem rosto que trabalham sem direitos; as que auferem salário inferior por tarefas idênticas às dos seus companheiros; as que não conseguem emprego por falta de “atributos” extra-curriculares, ou são excluídas de carreira por resistirem às investidas de empregadores sem escrúpulos. Muito se fala dessas mulheres, mas poucos falam COM elas!

Não são para aqui chamadas as “poderosas” que festejam com champanhe e streap-tease, com direito a perfume e chocolate, essas não precisam! Estou aqui a pensar num escândalo que nos foi servido recentemente, envolto em polémica sobre um estatuto de Primeira-Dama que não existe na legislação cabo-verdiana. Em Cabo Verde não há primeira-dama, há Damas de Primeira! É só olharmos para trás: a Mulher cabo-verdiana foi dama de primeira desde as primeiras escravas que pisaram estas ilhas ditas “Afortunadas”! Em outra ocasião nos lembraremos das nossas damas de primeira que fizeram este país e nos legaram o que somos – o que temos, é outra história.

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Margarida Freitas, a simplicidade que faz a diferença

E como o 8 de março não é só nosso, eis dou comigo a pensar na primeira-dama de Portugal que resolveu brilhar pela diferença. Margarida Freitas não é diferente por ser a esposa do recém-eleito Presidente da República Portuguesa – é diferente porque não se vê primeira-dama de Portugal! A mulher do Presidente não deseja ser dama-de-honor da República!

O que eu vejo nessa atitude? Vejo a simplicidade que faz a diferença. Uma mulher que prefere trabalhar numa farmácia à fatuidade ociosa dos palácios – eis a diferença! E essa diferença resplandece mais que os flashes e os holofotes do Poder!

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Nessa diferença vejo refletida uma realidade que a vaidade humana não enxerga: o verdadeiro activo de uma nação, não são os títulos – são as Pessoas! Deve ser o que pensava a Margarida quando disse “não há primeiras damas no nosso País”.

Claro que aquela pitadinha de demagogia estava lá, politicamente correcta, nessa afirmação da Margarida pois ela sabe que não é bem assim: em Portugal, o estatuto de Primeira-Dama existe bel et bien, está na lei desde 1996. O decreto-lei nº 28-A/96 atribui-lhe um gabinete de apoio, porém o seu papel é meramente protocolar, de representação em actos cerimoniais, podendo promover ou participar em projetos sociais ou filantrópicos. Em suma, a primeira-dama não tem funções oficiais nem aufere remuneração. Assim é em Portugal, e não é diferente noutros países, inclusive nos de língua portuguesa.

E não é que a legítima Primeira-Dama de Portugal prefere ficar na sombra, longe das luzes da ribalta! Há pessoas assim: são os mestres do palco, mas preferem a plateia! Porque na plateia sentem-se mais úteis e, sobretudo, mais à vontade a servir os outros.

Quer isto dizer que depois de Maria Cavaco Silva (até 2016), ainda não é desta que os portugueses vão ganhar uma primeira-dama… mas também não perdem uma competente farmacêutica, que muita falta lhes faz! Entre uma primeira-dama no Palácio de Belém ou uma Margarida Freitas na sua botica, lá sabem os portugueses o que lhes convém.

Sem primeira-dama já “sobreviveram” dez anos pois o Marcelo chegou solteiro, e solteiro parte amanhã, após a tomada de posse de António José Seguro. Se tinha namorada, não disse e não lhe fixou salário. E olha, poupou dinheiro ao erário público! E a República não sofreu um arranhão!

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Kimze Brito

Jornalista com 30 anos de carreira profissional, fez a sua formação básica na Agência Cabopress (antecessora da Inforpress) e começou efectivamente a trabalhar em Jornalismo no quinzenário Notícias. Foi assessor de imprensa da ex-CTT e da Enapor, integrou a redação do semanário A Semana e concluiu o Curso Superior de Jornalismo na UniCV. Sócio fundador do Mindel Insite, desempenha o cargo de director deste jornal digital desde o seu lançamento. Membro da Associação dos Fotógrafos Cabo-verdianos, leciona cursos de iniciação à fotografia digital e foi professor na UniCV em Laboratório de Fotografia e Fotojornalismo.

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