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Técnica de saúde revoltada com “excessiva” demora na marcação de exames no HBS

A funcionária da Delegacia de Saúde de São Vicente, Maria de Fátima da Cruz, está revoltada com a demora na marcação de exames de diagnóstico no Hospital Baptista de Sousa. Diz que, apesar de estar há 30 anos a trabalhar neste sector, e de ter sido designado um dia especial para os profissionais de saúde, está há quatro meses a aguardar a marcação de uma mamografia e uma ecografia, sem sucesso. A revolta é maior depois de, no ano passado, esperar mais de um ano e optar por recorrer ao sector privado. 

Em declarações ao Mindelinsite, Maria de Fátima conta que, em 2019, foi ao HBS fazer a marcação de uma mamografia e uma ecografia de mama. Na ocasião, foi informada que deveria deixar os documentos no serviço porque “há um dia específico para os profissionais de saúde fazerem as suas marcações”. Desloquei-me no dia indicado e fui informado que deveria voltar posteriormente, processo que repeti por diversas vezes sem sucesso. Fui informada depois que os meus documentos estavam no serviço de Raio-X e que deveria aguardar até ser chamada, o que nunca aconteceu”, indica esta técnica de saúde, que diz ter voltado ao HBS um ano mais tarde e, na ocasião, foi informada que os seus documentos estavam extraviados. 

Inconformada, Maria de Fátima revela que teve de recorrer ao sector privado para fazer todos os exames, arcando com todos os custos, não obstante estar inscrita no Instituto Nacional da Previdência Social. Para aumentar o seu descontentamento, a situação se repete este ano. O seu médico voltou a solicitar os mesmos exames e está há quatro meses em lista de espera. “Fiz as marcações em março passado e, até agora, não fui chamada pelo HBS. Estou revoltada porque não sou a única profissional de Saúde a enfrentar este descaso. Não beneficiamos de qualquer regalia no hospital. Somos sempre prejudicados e muitos acabam por recorrer ao sector privado para  realizar exames e assim não se submeter a esta humilhação”.

Reverter o quadro

É para evitar que situações do género se eternizem que esta técnica de Saúde resolveu denunciar o HBS. No seu caso, afirma que trabalha há mais de 30 anos no sector da saúde e, não obstante toda a dedicação, são sempre preteridos. Garante que quando recebem no seu local de trabalho qualquer profissional do hospital, o tratamento é completamente diferente. “Uma única vez em que um pediatra foi ao Centro de Saúde da Bela Vista e ficou na fila porque não se identificou como tal e eu não o conhecia, fui chamada a prestar esclarecimentos no hospital e ficaram chateados.”

Questionada se os exames solicitados – mamografia e ecografia de mama – eram urgentes, Maria de Fátima explica que são de controlo. Mas, mesmo assim, não se justifica estar mais de quatro meses na lista de espera. “Se fosse a primeira vez, esta demora até poderia ser aceitável, sobretudo devido a situação da Covid-19 em que estão a priorizar os doentes com outras patologias. Mas esta é uma situação recorrente. Por outro lado, deixei todos os meus contactos, inclusive da DS de Fonte Inês. Sabem também que sou uma profissional de Saúde. Nenhum destes atributos serviu para apressar o meu exame. Imagina então qual a situação dos utentes que não são segurados e não têm dinheiro? A Saúde devia ser para todos, mas claramente não é.”

A revolta desta profissional é ainda maior porquanto, diz, depois aparecem a fazer publicidades e campanhas sobre o câncer de mama e outras doenças, quando sequer conseguem cumprir o mínimo, no caso marcar um exame para rastrear estas mesmas doenças.

O Mindelinsite tentou ouvir a direcção do HBS mas, até a publicação do texto ainda não tinha nenhuma resposta, pelo que promete voltar ao assunto, caso receber alguma reacção do hospital. 

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