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Sentença do caso da mulher assassinada dentro de um vídeo clube em SV marcada para 7 de janeiro

A leitura da sentença do caso da mulher encontrada morta dentro de um vídeo clube em São Vicente foi marcada para o dia 7 de janeiro de 2022. A decisão foi anunciada ontem no início da noite pelo juiz, após uma longa jornada de audição de testemunhas e das alegações do Ministério Público, do assistente e da defesa do arguido Sandy Marlon Lima Neves, alegado autor das 12 tesouradas que tiraram a vida a Alcídia “D. Sissy” Salomão”.

Tanto o Ministério Público como o assistente defenderam veementemente que se tratou de um homicídio agravado cometido pelo arguido. Este, dizem, terá aproveitado da confiança da vítima, de quem era conhecido e amigo, para a assassinar com 12 tesouradas. Por isso, pedem a sua condenação com uma pena condizente com a barbárie. Alegam ainda que este deve ser ainda condenado por roubo qualificado, junto com os comparsas Admilson da Cruz e Elton Monteiro, estes dois por receptação dos produtos levados do vídeo clube da vítima.

A sua argumentação se sustenta no perfil da vítima, uma pessoa com uma forte relação familiar e que conseguia conquistar amizades com muita facilidade, inclusive com o seu agressor, que o terá matado de forma cruel. Já o arguido, de acordo com o advogado João do Rosário, foi a última pessoa a entrar no vídeo clube, conforme atesta o caderno-registo da vítima e dona do espaço comercial. “Era um individuo procurado pela polícia, mas que saía para a rua, tendo inclusive ido ao vídeo clube da D. Sissy. Tinha um perfil agressivo, tanto é que aplicou 12 golpes na vítima. É demasiado cruel”, afirmou.

Mais, este terá ainda aproveitado para subtrair bens da vítima do vídeo clube – um telemóvel e um computador – e, na impossibilidade de fazer dinheiro rápido com estes, terá regressado ao local à procura de algo mais fácil de vender. O assistente da acusação cita ainda as impressões digitais do arguido encontradas no armário do vídeo clube e as declarações firmes das testemunhas que, a seu ver, alegadamente foram decisivas para determinar a sua culpa no caso. “Os familiares, amigos e a sociedade clamam por justiça, por uma condenação que se espera pesada, tendo em conta a gravidade dos factos.”

A defesa de Sandy Marlon, nas suas alegações, destacou por sua vez o facto de este ser um processo complexo, que envolveu 20 testemunhas. Admitiu que o arguido cometeu alguns factos, mas pediu provas de que este terá aproveitado da amizade com a vítima para a agredir com uma tesoura que, enfatiza, nunca foi encontrada. Acusou ainda o MP e o assistente de exigir que seja o seu cliente a provar os factos de que é acusado. “Não há nada a provar que Sandy regressou ao vídeo clube e agrediu a vítima. Houve sim uma conduta errada deste em apoderar-se dos bens da vítima, mas não é certo que a terá visto caída no chão porque o local estava escuro. É preciso ter certeza jurídica para condenar. É preciso provas minimamente confiáveis para uma moldura penal prevista para este tipo de crime, cuja pena normalmente é pesada”, argumentou.

Tensão nas alegações

Esta alegação da defesa desagradou os presentes e despoletou uma réplica do assistente, que acusou o colega Paulo Fortes de desvalorizar as provas e de usar as declarações das testemunhas em função do seu interesse. Este reagiu reafirmando que ninguém pode confirmar que o arguido, que se encontra em prisão preventiva, voltou ao local para cometer o crime. Na sequência, os advogados da defesa dos dois jovens, Denilson e Elton Monteiro, acusados de receptação, alegaram que receberam os bens das mãos do arguido, mas que não podiam saber a sua proveniência ilícita.

Antes de encerrar as audições, o juiz deu a palavra ao arguido Sandy para fazer algum comentário final, ao que este limitou-se a dizer não ter tido as conversas referidas pela testemunha Magal. Alegou ainda não recordar as declarações feitas à juíza sobre os equipamentos roubados no vídeo clube da vítima – no caso o computador e o telemóvel – e que teria encontrado numa casa em Monte Sossego, mas que não conseguiu identificar.

Findas às alegações, o juiz marcou a leitura da sentença para 7 de janeiro de 2022, às 16h30.

O corpo de Alcídia Salomão foi encontrado no dia 31 de dezembro de 2020 dentro de um video clube na Rua d´Morguino em São Vicente. O caso começou a ser julgado no passado dia 17 de novembro e ontem foram feitas as alegações finais.

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