Vítimas têm feito pagamentos adiantados e depois ficam sem o produto e sem o dinheiro.
A Polícia Judiciária alertou a população cabo-verdiana para o aumento da prática do crime de burla através de plataformas digitais, com recurso a páginas falsas de vendas online criadas fundamentalmente no Facebook e Instagram. O alerta foi acionado, conforme a PJ, na sequência de várias denúncias e do número crescente de vítimas e que estão a ser alvo de apuramento pela Brigada Central de Investigação e Combate ao Cibercrime e Terrorismo. Na sequência, já foram identificadas algumas páginas onde ocorrem esses esquemas fraudulentos, entre as quais as intituladas por “Móveis Krioulo” e “Móveis de Nôs Terra”
“Os autores do esquema criam páginas falsas de venda online, onde publicam artigos como viaturas, móveis, eslectrodomésticos, telemóveis, computadores, tablets e outros bens, apresentados a preços extremamente atrativos, com o objetivo de captar a atenção dos consumidores”, explica a PJ em comunicado. Após a vítima mostrar interesse no produto, prossegue a polícia científica, segue-se o contacto com o burlador, que se encontra por detrás da página através de mensagens privadas ou dos números de telefone disponibilizados pela “loja”
Nesta primeira fase, os suspeitos, conforme a PJ, fornecem informações detalhadas sobre os produtos, aparentando “profissionalismo e credibilidade”, criando assim uma falsa sensação de confiança junto do cliente. De seguida, e já certos da confiança da vítima e da intenção de compra do artigo escolhido, os burladores passam a exigir o pagamento antecipado de metade do valor da mercadoria, que consideram uma “garantia de reserva”. O restante fica “supostamente” para ser pago no momento da entrega.
“Depois de efetuada a transferência bancária, os burladores iniciam uma terceira fase do esquema, começando a apresentar sucessivos adiamentos e justificações à vítima, neste caso o cliente, para a não entrega da compra efectuada, apesar do pagamento de metade da compra já ter sido realizado. Nesta fase, alegam normalmente dificuldades relacionadas com transporte inter-ilhas, documentação de embarque ou outros constrangimentos logísticos”, especifica a PJ sobre o modus operandi.
Numa quarta etapa, os criminosos deixam de responder às chamadas das vítimas e bloqueiam todos os canais de contacto, impossibilitando qualquer comunicação. É neste momento, segundo a PJ, que, na maioria das vezes, as vítimas se apercebem de que caíram num golpe de burla. Como consequência, ficam sem o dinheiro adiantado e sem o protudo que pretendiam comprar e recorrem de imediato às autoridades competentes para apresentação da queixa-crime.
Utilização de “falsos trabalhadores” no esquema
A Polícia Judiciária chama atenção ainda para outra vertente do esquema, relacionada com falsas ofertas de emprego na “área financeira”, divulgadas através das páginas fraudulentas nas redes sociais. As investigações permitiram apurar que os burladores publicam ofertas de trabalho online e fazem recrutamento, levando as vítimas a que foram contratadas para funções financeiras associadas à suposta empresa ou página de venda.
“Informam as vítimas que, entre as suas funções, consistirão em receber determinados montantes nas suas contas bancárias e que, após receberem os valores, deverão reenvia-los através de serviços de transferência internacional, como Western Union ou MoneyGram, mediante instruções do suposto superior hierárquico”, clarifica a PJ. Neste processo, e para que o esquema decorra sem qualquer ligação directa ao criminoso, estes pedem às vítimas a disponibilização dos seus dados bancários e do respectivo NIB. Deste modo, a pessoa supostamente recrutada passa também a ser vítima do esquema, uma vez que os criminosos passam a utilizar as suas contas bancárias para receber transferências provenientes de burlas, nomeadamente os adiantamentos de 50 por cento do valor dos produtos “comprados” nas páginas falsas.
Após a confirmação da entrada do dinheiro na conta bancária da pessoa recrutada para a “área financeira”, esta recebe instruções para levantar os valores e reenviá-los, através de Western Union ou MoneyGram, para alegados superiores hierárquicos, quando, na realidade, está a transferir o dinheiro directamente para os criminosos. A PJ salienta que, nestes casos, as pessoas supostamente recrutadas são também vítimas do esquema, sendo utilizadas pelos autores para dificultar a identificação dos verdadeiros responsáveis pelas burlas.
Clonagem de páginas verdadeiras
Os autores deste tipo tipo de burla têm ainda recorrido à clonagem de páginas legítimas de venda online, usando imagens semelhantes aos das empresas verdadeiras, com o intuito de enganar os consumidores e aumentar a aparência de credibilidade dos seus serviços. Muitas vezes, as vítimas caem neste esquema por já terem efectuado compras na página verdadeira, de forma normal. Confiando na aparente autenticidade da página falsa, acaba por seguir as instruções dadas pelos burladores para efetuar a compra. Perante o aumento deste tipo de crime, a PJ recomenda à população para desconfiar de preços excessivamente baixos em páginas de venda online, evite efectuar pagamentos antecipados sem garantias seguras, verifique a autenticidade das páginas e não disponibilize contas bancárias a terceiros para movimentação de dinheiro.






