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Djam Neguin e Batchart usam a arte para ajudar a prevenir o suicídio

Os artistas Djam Neguin e Batchart estão a usar a sua arte para prevenir o suicídio, através da campanha “Se Kel k bo ê”, nome emprestado a uma música e videoclipe, integrado no Setembro Amarelo. A ideia, diz Djam Neguin em declarações ao Mindelinsite, é sensibilizar sobretudo os jovens para uma maior aceitação, mas também incentivar as instituições a divulgarem as informações estatísticas sobre o suicídio em Cabo Verde.

Esta é a segunda edição deste projecto, que se restringe ainda à Capital por falta de apoio institucional. Mas o sonho dos promotores – Batchart e Neguin – é levá-lo aos demais concelhos da ilha de Santiago e do país. “Este projecto surgiu a partir de uma música que fizemos, denominado ´Se quel k bo ê´. Acabamos por associar esta música a esta campanha, cuja programação se estende por todo o mês de setembro, até 10 de outubro, para poder contemplar o arranque no ano lectivo nas universidades. Esta prevê acções nos mídias, participação em programas de rádios, lives nas nossas páginas no Facebook e Instagran, e visitas às escolas e universidades na Praia”, informa Neguin.

Seguem-se ainda acções nos bairros periféricos da Capital, num trabalho conjunto com as associações comunitárias. “A ideia é fazer um trabalho de sensibilização à questão da saúde mental e de autocuidado. Também vamos falar sobre como podemos trabalhar na prevenção, precisamente para evitar que se chegue ao suicídio”, pontua o entrevistado, sendo que, para o efeito, este espera montar uma equipa mais extensa e assim alcançar o máximo de pessoas, tendo em conta a importância deste trabalho, sobretudo nestes tempos de restrições por causa da pandemia.

Nesta fase, Neguin e Bachart são os promotores e os oradores das palestras, mas contam com alguns colaboradores-voluntários que, por exemplo, no dia 10, data do lançamento da campanha, ajudaram na distribuição das fitas. Contam ainda com apoio de uma psicóloga, Elisangela Canuto, e de alguns parceiros e patrocinadores privados. “Infelizmente, não conseguimos apoios de nenhuma instituição pública, o que nos deixou muito triste porque fizemos os contactos com muita antecedência. Isso mostra que o suicídio é um tema para o qual ainda não existe sensibilidade”, desabafa

Apesar das notícias frequentes sobre o suicídio, este artista lamenta a inexistência de publicações em Cabo Verde e critica a resistência das instituições em fornecer estes dados. “Acreditamos que há mais ou menos 50 suicídios por ano no país, mas não há dados oficiais. Seria interessante as instituições tornassem publico estas informações, até para sabermos como e onde agir. Mas, infelizmente, a Saúde Mental não tem recebido a atenção que merece, o que é grave. Sabemos que muitas pessoas são afectadas e o serviço de Saúde não consegue dar uma resposta adequada”, constata.

Inconformados, Neguin e Batchart resolveram colocar esta campanha na estrada para, através da sua arte, chamar a atenção para esta importante questão. Usam a música ´Se quel k bo ê” e também filmes durante as palestras para suscitar questões e promover debate de ideias. “É uma forma mais leve de tratar a questão, mais ao nível artístico do que clinico. E o feedback dos jovens tem sido muito bom, o que demostram a apreensão da mensagem”, remate este jovem, que confessa ter-se envolvido pessoalmente nesta campanha depois de ter passado por esta situação, sobretudo entre 2019/20. Conseguiu superar e hoje acredita que pode ajudar outras pessoas a acreditarem.

Link “Se kel k bo ê”: https://www.youtube.com/watch?v=YGs7FvfaFQYhttps://www.youtube.com/watch?v=YGs7FvfaFQY

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