“Chegaram a desentupir ninhos das tartarugas, o que, para nós, atingiu o limite dos limites”, desabafa Tommy Melo, responsável da organização ambientalista sediada na ilha de São Vicente.
A associação Biosfera I aliou-se à sociedade civil e ao ministério do Ambiente para lançar um grito contra a destruição da orla costeira e de ninhos de tartarugas na Praia Grande de S. Vicente, devido a apanha desenfreada de areia. Este ataque ambiental, conforme depoimentos constantes num vídeo publicado ontem, tem estado a acontecer há vários meses, apesar das denúncias, mas agora tomou uma proporção mais grave com a extração de inerte na zona de desova das tartarugas. “Chegaram a desentupir ninhos das tartarugas, o que, para nós, atingiu o limite dos limites”, desabafa Tommy Melo, responsável da organização ambientalista sediada na ilha de São Vicente.
No mesmo sentido, Sarah Santos, membro da Biosfera I, lembra que há uma placa que proíbe a apanha de areia na Praia Grande, mas que parece ser letra morta. “Esta prática vem acontecendo com frequência.” Por sua vez, Nélida do Rosário, representante do Ministério da Agricultura e Ambiente, enfatiza que a extração desse inerte nas praias constitui um acto ilegal. Informa que existe uma área destinada a essa actividade e apela a uma sensibilização geral para se combater a extração de areia nas praias.
Para Débora Roberto, está-se a presenciar uma ocorrência gravíssima, que é a destruição das zonas de desova das tartarugas. Jéssica Matos reforça que a população das tartarugas já tinha sido estabilizada, mas, a continuar com a extração, irá ocorrer um declínio.
Polícia Marítima encontra evidências na Praia Grande
A situação registada na Praia Grande é do conhecimento da Polícia Marítima de São Vicente, que esteve no local e encontrou evidências da prática. No entanto, as diligências não permitiram surpreender os infractores em flagrante.
O comandante da PM explica que esta unidade policial tem como atribuição a fiscalização da orla marítima, competência que, diz, tem estado a cumprir com ações programadas e em resposta a denúncias. Neste sentido, tem abordado viaturas envolvidas nessa actividade ilegal e enviado os autos para as entidades competentes. Ressalva, aliás, que não é a única autoridade em matéria de fiscalização, cabendo esta atribuição igualmente ao Instituto Marítimo e Portuário, ao Ministério do Ambiente e à própria Câmara Municipal.
“A título exemplificativo, num passado recente houve um encontro entre todas as entidades envolvidas na fiscalização da orla marítima e eu, na qualidade de Comandante da Polícia Marítima, sugeri uma deslocação aos locais afectados por esta actividade para que todas as partes pudessem ter a consciência da gravidade do fenômeno”, revela o comandante Benvindo Chantre. Este salienta ainda que, apesar da proibição de apanha de inertes em determinadas áreas, no caso da Praia Grande não há sequer um muro para impedir o acesso das viaturas a zonas onde se pode apanhar areia.
A PM, prossegue a citada fonte, realizou um encontro com a Biosfera I, tendo esta organização mostrado a sua preocupação com a apanha de areia nas praias, especialmente nas zonas de desova das tartarugas. Assegura que a Polícia Nacional, no seu todo, tem feito a sua parte com patrulhamento e intervenções suscitadas por denúncias. Lembra, entretanto, que foi identificada a zona de Salgadim-Salamansinha como local autorizado para a apanha de inertes destinado à construção.
As praias, relembra Tommy Melo, são um activo para o sector turístico, mas principalmente para a proteção das zonas costeiras aos fenômenos naturais associados às mudanças climáticas. Salienta que são usadas para a desova das tartarugas e como berçário de várias espécies, nomeadamente os tubarões.







