A água da praia da Lajinha assumiu ontem à tarde uma forte coloração castanha, numa altura em que foi detectado um intenso vazamento de esgoto na avenida que circunda essa zona balnear. Para entender esse fenômeno, a nossa reportagem contactou o vereador do pelouro do ambiente da Câmara de S. Vicente e o Capitão dos Portos de Barlavento. Enquanto o vereador José Carlos afirma que o esgoto não atingiu o mar, o capitão Aguinaldo Lima diz o contrário.
O autarca confirma que houve uma avaria numa tampa de esgotos na estrada, mas salientou que a água não tem escoamento para o mar. Logo não poderia ser a causa da poluição registada na zona sul da praia. “Demoramos algum tempo a saber do vazamento, mas acionamos uma viatura assim que fomos informados. Confirmamos que houve uma avaria numa caixa que fica perto da paragem de autocarro na avenida da praia da Lajinha, mas o esgoto não vai para o mar”, reforça o vereador José Carlos. Perguntado sobre a provável causa dessa coloração acastanhada, não soube precisar, mas voltou a frisar que o esgoto nunca vai para o mar.
O Capitão dos Portos de Barlavento tem, no entanto, outra leitura. Para Aguinaldo Lima, essa contaminação foi provocada pela água do esgoto. Explica que o vazamento aconteceu na estrada asfaltada numa zona mais alta, o que levou a água suja a escorrer até a área mais a sul da praia e chegar ao mar. Especifica que o esgoto acabou por seguir o caminho normalmente usado pela água da chuva e acabou atingindo a praia balnear.

Confrontado com o ponto de vista do vereador José Carlos, o Capitão Aguinaldo Lima salienta que normalmente o esgoto não deveria ir para o mar, mas sim escorrer no subsolo. Só que, neste caso, reforça, a água que vazou da tampa acabou por escorrer em direção ao areal.
“Já estive na Lajinha, água está menos castanha, e vamos entrar em contacto com o vereador para analisarmos a situação. Em tempos realizamos um encontro com o Ministério do Ambiente e discutimos a questão da saída da água da chuva nessa zona da praia”, acrescenta. Esta fonte adianta que a praia tem neste momento hasteada a bandeira amarela e acha que seria conveniente fazer novas análises para se apurar a qualidade da água. “Não digo que a praia esteja interdita, mas é preciso cuidado. Acho que deveríamos fazer novas análises, tal como aconteceu após a tempestade Erin.”
Abordado sobre a água da enseada da Avenida Marginal, Aguinaldo Lima reconhece que a limpeza natural do mar junto a Marina do Mindelo e o Terminal de Cabotagem vai levar o seu tempo por se tratar de uma zona com pouca correnteza. Salienta que a chuva transportou muito lamaçal para essa zona e que o fundo mantém ainda uma boa quantidade de lodo, que costuma ser levantado pela força das hélices dos navios quando fazem manobras.






