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Legislativas 2026 – A minha perspectiva

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Nelson Faria

As eleições legislativas realizadas em Cabo Verde a 17 de maio de 2026 marcaram um momento crucial na vida política do arquipélago, evidenciando tanto a robustez democrática quanto desafios persistentes. A aceitação tranquila dos resultados das urnas demonstrou uma notável maturidade cívica, um pilar fundamental para a consolidação de qualquer sistema democrático.

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A forma serena e pacífica como os resultados eleitorais foram aceites por todos os intervenientes políticos e pela sociedade civil é um testemunho da maturidade democrática de Cabo Verde. Este comportamento, que se traduz na ausência de contestações violentas ou desestabilizadoras, reforça a confiança nas instituições e nos processos eleitorais do país. A transição de poder, ou a continuidade, ocorre num ambiente de respeito pelas regras do jogo democrático, um exemplo a ser seguido na região e além.

Contudo, um dos aspetos mais salientes destas eleições foi a elevada taxa de abstenção, que superou os 53%. Este dado assinalável exige uma análise aprofundada dos seus múltiplos fatores. Na minha perspetiva, a abstenção pode ser dimensionada em diversas categorias:

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  1. Eleitores que decidiram não votar o que reflete uma possível desilusão com a política, falta de identificação com as propostas dos partidos, ou uma perceção de que o seu voto não fará diferença.
  2. Migração externa e interna – Cabo Verde, com uma diáspora significativa, aumentada imensamente nos últimos anos, enfrenta o desafio de integrar estes cidadãos no processo eleitoral. A migração interna também tem revelado dificultar o exercício do voto, especialmente se os registos eleitorais não acompanharem as movimentações populacionais.
  3. Abstenção administrativa – Problemas na troca de mesas de voto, indicações erradas ou outras falhas logísticas podem impedir os cidadãos de exercerem o seu direito de voto. Embora menos comum, a abstenção administrativa pode ter um impacto localizado.

Entretanto, é preciso assinalar o grande vencedor destas eleições que foi, sem dúvida, o PAICV e o seu líder, Francisco Carvalho. A sua vitória, com a conquista da maioria absoluta, é uma prova de resiliência e serenidade. Francisco Carvalho foi alvo de ataques e manipulações durante a campanha, que, em vez de o denegrirem, tiveram o efeito contrário, fortalecendo a sua imagem e a do partido junto do eleitorado. Também por isso, a sua liderança foi validada pela maioria, que apostou na visão de um novo Cabo Verde, Cabo Verde Para Todos.

Finalizadas as eleições, o foco deve agora ser direcionado para a construção e a realização conjunta do projeto validado pela maioria: “CABO VERDE PARA TODOS”. Este lema, que apela à inclusão e à participação de todos os cabo-verdianos, independentemente das suas afiliações políticas, é um convite à colaboração. É tempo de ultrapassar o combate político e abrir caminho para as concertações e colaborações necessárias para a construção desta visão partilhada. A democracia de Cabo Verde, demonstrada na transição pacífica e na aceitação dos resultados, é um ativo valioso que deve ser capitalizado para o desenvolvimento do país.

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Um dos desdobramentos políticos mais significativos pós-eleições foi a demissão de Ulisses Correia e Silva da presidência do MpD, na sequência da derrota do seu partido. Em declarações à imprensa, Ulisses Correia e Silva manifestou a intenção de “mudar de vida e deixar a política”, reconhecendo o desgaste de 10 anos no poder e a necessidade de uma reflexão sobre a elevada abstenção. A sua atitude de felicitar o vencedor e garantir uma transição tranquila reforça a imagem de uma democracia madura em Cabo Verde.

As eleições legislativas de 2026 em Cabo Verde reafirmam a solidez do seu sistema democrático, marcado pela aceitação pacífica dos resultados e pela maturidade dos seus atores políticos. No entanto, a elevada abstenção emerge como um desafio premente, que exige uma análise aprofundada e a implementação de estratégias para envolver um maior número de cidadãos no processo eleitoral. A vitória do PAICV e de Francisco Carvalho, aliada à demissão de Ulisses Correia e Silva, assinala o início de um novo ciclo político, com a expectativa de que a colaboração e a construção conjunta prevaleçam em prol de um “Cabo Verde para Todos”.

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Kimze Brito

Jornalista com 30 anos de carreira profissional, fez a sua formação básica na Agência Cabopress (antecessora da Inforpress) e começou efectivamente a trabalhar em Jornalismo no quinzenário Notícias. Foi assessor de imprensa da ex-CTT e da Enapor, integrou a redação do semanário A Semana e concluiu o Curso Superior de Jornalismo na UniCV. Sócio fundador do Mindel Insite, desempenha o cargo de director deste jornal digital desde o seu lançamento. Membro da Associação dos Fotógrafos Cabo-verdianos, leciona cursos de iniciação à fotografia digital e foi professor na UniCV em Laboratório de Fotografia e Fotojornalismo.

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